30 abril 2007

Quando os príncipes empunham a espada

A superioridade da instituição monárquica evidencia-se na forma como os seus titulares se submetem às exigências comuns da cidadania, mas, sobretudo, pela exemplaridade que sobre eles impende. A um príncipe não são diagnosticados pé chato, miopia, distúrbios neurológicos, falta de acuidade auditiva, nem tão pouco podem fugir às responsabilidades castrenses invocando objecção de consciência, estudos universitários, emigrar ou invocar funções profissionais que o dispensem do cumprimento do dever. Os monarcas e os príncipes são escravos das suas obrigações: uma vida regulada do acordar ao adormecer, um calendário oficial de 365 dias, receber e ouvir milhentas petições, despachar, presidir a centos de eventos e em todos mostrar a mesma solicitude, a mesma cortesia, o mesmo semblante. A monarquia é uma escola. Nela, as gerações sucedem-se, a prisão do dever inalterado. Quando chega o momento de empunhar o sabre, os jovens príncipes libertam-se dos paparazzi e passam a ter em cima dos ombros os olhos de todo o exército. Em combate, estão na linha da frente, não havendo notícia, nos velhos como nos novos tempos, de príncipe que tenha deslustrado a confiança das nações que servem. Assim foi no passado - quando o príncipe imperial Eugénio Napoleão caiu em combate, varejado pelas lanças Zulu -; assim foi em todos os teatros de operações da Grande Guerra e da Segunda Guerra Mundial; assim foi há vinte e cinco anos nas Falklands. Coube agora a vez a Harry. A monarquia tem esta tocante e inconfundível característica: exige sempre o melhor daqueles que a servem. Antes fossemos todos como os príncipes.


Goodnigth, wherever You are (Mary Martin)

Sem comentários: