24 abril 2007

Quando a Oposição Democrática criticava Marcelo pela adesão à CEE

Entre 4 e 8 de Abril de 1973 realizou-se em Aveiro o 3º Congresso da Oposição Democrática, verdadeiros Estados Gerais prenunciadores da emergência da classe política que em 1974 entrou em funções. Nele participaram, outre outras centenas de personalidades, Maria Barroso, Arons de Carvalho, José Jorge Letria, Joel Serrão, Carlos Carvalhas, Carlos Candal, Victor de Sá, Vital Moreira, Tengarrinha, António Macedo e Óscar Lopes, frente comum integrando o PCP, a CDE (futuro MDP/CDE) e o Partido Socialista.


Das suas conclusões, publicadas pela Seara Nova, lemos algures na página 18: "assim, observa-se (...) a tentativa de superar a estreiteza relativa do mercado interno através da adesão ao Mercado Comum e (...) tentam-se transformar os mercados coloniais em autênticas coutadas dos grandes grupos económicos nacionais e estrangeiros dificultando ao máximo as vendas das pequenas e médias empresas portuguesas nesses mercados". Em resumo: a oposição democrática queria o monopólio das trocas comerciais com África; a oposição democrática opunha-se ao Mercado Comum invocando o proteccionismo.


Na página 19 sobressai: "é evidente que a inserção crescente da economia portuguesa no contexto do capitalismo internacional por via, sobretudo, da implantação de capitais estrangeiros e, nomeadamente, de alguns colossos multinacionais, pelo que se deve destacar a medida em que isso (...) é fomentado pela política vigente e, por outro, qual o significado do apoio visado com essa orientação, bem como das contradições que origina face aos interesses de desenvolvimento global e harmónico da sociedade portuguesa". A oposição democrática mostrava-se conservacionista no que concernia aos loci da sociedade e economia portuguesas, repudiando o capitalismo, a abertura económica e a adesão ao Mercado Comum, que limitava a uma manifestação da internacionalização do grande capital.

Sem comentários: