20 abril 2007

"Fassismo", "feixismo" e outras prepotências


Não se conhecem nem reconhecem no nome, mas são prepotentes, vingativos, controleiros, devassadores, censores, burocráticos, mesquinhos e obcecados pelo pequeno poder. São os micro-ditadores do tempo presente: o poder que lhes foi dado por decreto nunca os submeteu a provas públicas, a concursos e outras ordálias a que se submetem aqueles que não têm partido nem seita, lóbi, clubeco e demais jangadas a que se agarram os medíocres, os fura-vidas e os escravos por vocação. Sempre disse que o pior jugo é o dos cobardes, dos mentecaptos e dos incapazes. O país está cheio de pequenos feudos, pequenos ditadores, pequenos chefes que tiranizam, cerceiam, humilham e segregam tudo o que lembra o mérito, a independência, a liberdade e a decência. Eles sabem, no fundo, que o país se limita a 100.000 confrades, que tudo o que acontece, tudo o que importa e lhes perturba os gelatinosos cérebros se prende com a preservação, custe o que custar, das sinecuras, dos privilégios e dos cabedais proporcionados pela "coisa pública". Nos últimos dias tenho tido conhecimento de comportamentos verdadeiramente selváticos cometidos contra probos servidores do Estado no âmbito desta reforma que varre de fio a pavio os ministérios: gente despejada sem pré-aviso, nomeações interinas de centos de filiados do PS para funções para as quais são requeridos experiência, habilitações e conhecimento em áreas de grande especialização. É o tempo do fassismo, do feixismo e da tirania sorridente, mas uma tirania que não conhece outros procedimentos que os da intimidação, do borda-fora e dos cuspir-na-cara de quem nunca foi amesendado de PS's, PSD's, PP's, PC's e outras empresas de angariação de clientelas. Este país enoja-me a pontos de revoltar o estômago, as vísceras e a razão. Estamos, decididamente, nas vascas da agonia. Confesso: tenho vergonha em ser português. Aliás, só teria um pouco mais de vergonha se houvesse nascido búlgaro, montenegrino ou mecadónio. Burke dizia que o patriotismo se funda, também, numa relação amorosa entre os indivíduos e as sociedades em que nasceram; vulgo, as nações têm de ser "sexys". Esta é tudo menos "sexy": é um pesadelo.

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