02 abril 2007

Guerra das Falklands ou o único país europeu que não perdeu a coragem

A França foi à luta e perdeu na Indochina, foi à luta na Argélia e assustou-se. A Bélgica, que se dera ares de importante, saiu do Congo carregada de vergonha. A Espanha descolonizou sem honra nem glória no Sahara Espanhol: mandou regressar o exército e entregou o território e respectivas populações às colunas da Marcha Verde. Portugal ganhou militarmente em África, mas no fim abandonou tudo, sem regatear e sem prover, condenando Angola a uma guerra de 27 anos, Moçambique a 20 anos de matanças e Timor-Português ao genocídio indonésio.
A descolonização europeia terá sido um dos maiores desastres humanitários do século XX, mas no conjunto dessa imensa tragédia escapou o Reino Unido: deu luta aos comunistas na Malásia e venceu-os, deu luta aos Mao-Mao, venceu-os e só depois de os civilizar concedeu a independência ao Quénia. Em 1982, um general argentino encurralado entre a hiper-inflação, o descrédito e a ilegitimidade, empurrou país para uma aventura que estimava impune. Não contava que os britânicos - que jamais aceitaram os "ventos da história" e outras crenças revolucionárias, posto continuarem a ser uma monarquia, súbditos e fiéis a uma Constituição histórica - conhecem a honra nacional, o sacrifício e o valor das responsabilidades do Estado. As Falklands foram retomadas pela força pois, para os britânicos, não há direitos históricos sem a anuência das populações, não há factos consumados ao arrepio da legalidade internacional, não há cedências perante os interesses permanentes da nação. Os argentinos foram esmagados, os habitantes das Falklands voltaram a ser leais e livres súbditos e hoje o arquipélago é o mais rico do hemisfério sul. O ditador argentino foi apeado, a Argentina caiu no desastre insolvente que se conhece e os argentinos - que se portaram com grande coragem na luta - dedicam-se hoje a proezas futebolísticas. Foi uma lição. Se a Europa tivesse na Grã-Bretanha o seu espelho de virtudes outro galo cantaria.




"Rule, Britannia!"

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