19 abril 2007

A culpa não é de ninguém


As revelações bombásticas não o foram. Em suma, coisa portuguesa: uns telefonemas, conversa morna, compromissos de cavalheiros, promessas vagas, empregos e ordenadinhos salvos de parte a parte. Parece de propósito: na noite em que se esperava ranger de dentes e fogo da geena estava a separar velhas fotocópias. Uma delas, sintomaticamente, reproduzia um documento que em tempos localizei no Arquivo de Évora, datada de 10 de Dezembro de 1640, no qual o novel monarca D. João IV dava instruções claras à chancelaria do Reino para que não fossem dados a conhecer os nomes dos nobres portugueses prestando serviço nos exércitos do rei de Espanha. Em bom português: eles são inimigos, mas não tanto como isso. Habituados a ser enganados, ao jogo da mentira e das meias-verdades, os portugueses já não acreditam na lei, nos tribunais, no Diário da República, no governo e na comunicação social. Tenho a certeza absoluta que a dita casa emissora de diplomas será reaberta dentro de semanas ou meses - o tempo de vida de uma notícia - e que no próximo ano lectivo ressurgirá das cinzas como se nada tivesse passado. Portentos lusitanos !

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