02 março 2007

O topete da saca de apparatchik's


As conversetas, diatribes e wrestling dos senhores parlamentares não consomem o meu tempo doméstico, mas ontem lá os ouvi impelido pela intuição - que se revelou fatal - que o Estado da Nação (RTP 1) teria como cabeça de turco Paulo Portas. Não errei. Do bloco de esquerda, do inefável e rotundo Rosas ao PSD, aquelas hossanas a Ribeiro e Castro mostraram à saciedade o terror que se apossou daquela gente perante a revelação pública do regresso de Portas à vida política activa.



Assis (PS) e Paulo Rangel (PSD) portaram-se como senhores que são, António Filipe como um comunista, ou seja, destilou aquele veneno velho e incómodo que há muito não faz efeito, posto a farmacologia ter dado passos de gigante na divulgação de antídotos para tais ferrões. Quanto a Anacoreta Correia, fez o trabalho de casa em defesa do prefeito do Caldas, meneou a cabeça, disse que não com a língua às atoardas dos convivas e acenou, com sorriso, aos mais cavilosos atrevimentos de Rosas.



A Rosas coube a tranche sangrenta. Foi de uma grosseria, de uma falta de nível, de uma desbocada e quase reles agressividade. Destapou-se da sua fingida pose de homem da academia, deixou sair o pús malcheiroso e teve, ali, perante todos, um ataque de epilepsia digno de comunicação para umas quaisquer jornadas de psiquiatria clínica. Afirmou, com despudor feroz, que Portas não era digno de confiança, pois conhecia-se-lhe a capacidade de mudar de fato ideológico de quatro em quatro anos. Estranho que Rosas, vindo do MRPP - i.e, leninista, estalinista e maoísta - se tenha ultimamente afeiçoado a essa saca de gatos ideológica que dá pelo nome de Bloco Qualquer-Coisa, uma associação quase caricatural que transgrediu todos os limites razoáveis da história do movimento comunista ao juntar em amena aliança estalinistas, trotsquistas e maoístas. De imediato, com a mesma logorreia ultrajante, queixou-se da "bolsa parlamentar" que a Portas fora dada para, ali, no Parlamento, se dedicar à madracice e à intriga sem prestar quaisquer serviços à filosófica assembleia do povo. Ora, Portas não recebeu qualquer bolsa, mas mandato dos eleitores, por voto universal e directo. Rosas, fiel à sua pedatura totalitária, recusa o sistema representativo "liberal-burguês", preferindo, com a jactância que o seu profundíssimo umbigo inspira, uma assembleia de apparatchik - perdão, dos gampu - retirados das cadernetas do partido único.

Sem comentários: