23 março 2007

África agónica


Andam aos tiros em Kinshasa, um paiol explode em girândolas de morte em Maputo, o Zimbabwe está à beira do colapso, Luanda só garante abastecimento de água corrente a 25% da população, Bissau não paga aos professores, funcionários dos correios e enfermeiros, metade da população da Swazilândia e do Botswana está condenada pelo SIDA, S. Tomé vive da caridade portuguesa e das ajudas interessadas de Taiwan, a Somália deixou de existir enquanto entidade soberana, o Níger e o Chade vivem de doações internacionais. A África acabou. Nas chancelarias ocidentais já ninguém esconde a perplexidade perante o afundamento do continente. Julgo que, pelo andar das coisas, ainda assistiremos em vida a uma nova partilha do continente. Aqueles ranchos de crianças ranhosas, sub-nutridas e expostas aos maiores crimes, aquelas cidades de zinco, fome e violência, aquela devastação ambiental que matou a fauna, destruíu as terras e envenenou lagos e rios exige o concurso da nossa piedade, mas exige, sobretudo, que os Estados se responsabilizem pela sorte de milhões que se vão apagando.

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