21 março 2007

Ao contrário do Homem que Queria ser Rei, de Kipling, aventura que decorre nos confins do Kafiristão, estes senhores foram-no, de facto e de jure, durante quase um século em Sarawak, no Bornéo. Não tendo os britânicos sido os primeiros a aspirar à realeza entre selvagens - já havia reinetes portugueses em Moçambique no século XVII, bem como um verdadeiro rei entre os birmanes (Salvador Ribeiro de Sousa) - a dinastia dos Brooke - James (1841–1868), Charles Anthony (1868-1917), Charles Vyner deWindt (1917-1946) - foi um verdadeiro Estado reconhecido pelas potências. Reinando sobre os Dayaks, conhecidos pelo esmero do artesanato com cabeças humanas, os Brooke resistiram à mudança e só abandonaram a ribalta quando sobre a Ásia se concentraram os carregados ares que levariam à Guerra do Pacífico. Esta obra, emprestada por um amigo, revela com detalhe todas a habilidades a que cavalheiros formados nos melhores colégios e academias britânicas deram largas para implantar os costumes e instituições de Albion entre tribos antropófagas. O malvado Brooke de Sandokan era, afinal, um brilhante administrador, um resoluto político e um inexcedível diplomata.

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