22 fevereiro 2007

A propósito das oitocentistas crenças anti-monárquicas de O Jansenista






A supremacia da monarquia sobre a república reside precisamente no facto de dispensar os homens de génio para asseverar a sua bondade intrínseca. Lembro que D. Afonso VI recebeu o cognome de Vitorioso e Carlos II, mesmo com o prognatismo mandibular extremo e defeitos neuromotores vários, para além da impotência e da epilepsia, passou à história como o homem cuja vida se confunde com a desesperada tentativa para evitar a intervenção estrangeira que veio, depois da sua morte, enlutar a Espanha naquela que seriaq a mais mortal das guerras europeias do século XVIII.
Há certamente uma vasta bibliografia nosológica oitocentista - leia-se republicana e jacobina - que se lê com agrado e mórbida diversão, mas grande parte dessas devassas só expriem a maldade e insensibilidade dos preclaros autores a respeito das deficiências físicas; em suma, puros actos de grosseria. O realismo e, sobretudo, o naturalismo literários, quando transpostos para a historiografia, geraram textos curiosos, mesmo soberbos, mas a marcação pretensamente médica de fisiologistas e psicologistas não resistiu à acareação documental séria. Oliveira Martins, Fialho e Ramalho acabaram todos, se não incondicionais dos Braganças, em contrição pelos escritos ligeiros que haviam assinado contra uma dinastia que produziu uma plêiade de homens de evidente vontade em servir o país, para não referir as qualidades intelectuais e criativas que demonstradas por D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos e D. Manuel II.
Gosto, porém, de lembrar aos cultores das lendas dinásticas que a galeria dos senhores presidentes é bem mais reservada no que respeita ao carácter, coisa que coloco acima dos defeitos físicos. Leia-se a obra de Homem Cristo (Pai) a respeito dos verdadeiros bandidos que se alcandoraram a Belém e fica-se, no mínimo, com a impressão que a república conseguiu a proeza de ter como primeiros magistrados facínoras de delito comum até os substituir por marechais e almirantes descerebrados. Ultimamente, até traidores tivemos nos salões presidenciais. Quanto ao actual rei de Espanha, conseguiu evitar uma nova guerra civil, o estilhaçamento do país em republiquinhas e merecer a confiança e respeito da grande maioria dos espanhóis. Convidaria qualquer presidente português (já temos três na reserva) a medir popularidade, serviço do Estado e respeito dos concidadãos com o actual monarca espanhol.

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