20 fevereiro 2007

Petardos carnavalescos


Jardinesco e a pantomima 2007: Escolheu sintomaticamente a quadra para se exibir no palco da paródia política. O homem está há trinta e tal anos na ribalta do desconchavo, do gesto histriónico, da boutade, do palavrão e do sem-propósito. O repertório esgotou-se e devia retirar-se. Cansa-me a rábula da independência, cansa-me tanto como as deixas do Herman falido da graça, incomoda-me aquele tom de carvoaria, aquela gente inacreditável que arrasta de trela atrás da olímpica barriga. É tempo de pedir a reforma.
Lisboa stromboliana: Passeio pela baixa rumo ao largo Camões. Centos de turistas de câmara em riste fotografando as vacilantes grandezas daquela que foi a cabeça de um vasto império. De cinco em cinco metros - nas escadarias dos templos, nos passeios, na base dos monumentos - cachos de pedintes esfarrapados, mutilados, velhos desamparados, uma velha devastada cantando um fado guinchado, malabaristas de rua; todos de mão em concha implorando, incomodando, tiranicamente insistindo por uma moeda. Ao que chegámos.
Os mistérios do género: O carnaval está nas últimas. Felizmente, já não se mascaram as criancinhas de Zorro e de sopeira. Abundam as vestimentas baratas mas sugestivas compradas nas lojas chinesas. Fico feliz pela alegria dos miúdos, cheios de si com o fato de pantera, o escafandro de astronauta, a vestimenta do homem aranha. Os graúdos, homens, claro, dão largas às sua fantasias escondidas. Os homens, em Portugal, quando se trata de brincar ao Carnaval, vestem-se de mulheres. Mistérios do machismo meridional !
Um ministro de telemóvel: Saio do ginásio e no parque de estacionamento está um homem baixo, de ventre proeminente, vestido sem o inseparável fato que faz a imagem dos homens públicos, com um cabelo negro-avermelhado que dir-se-ia pintado de fresco. Fala, esbraceja e dá ordens a algum subordinado. É o ditador da economia. Fica melhor na televisão. Julguei-o seco de carnes, mais apresentável. Mas não, na TV fica melhor.

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