13 fevereiro 2007

P-S-D


O PSD não é uma decepção: é o cúmulo da coerência relativista. Ora vão 500 mil euros para o SIM, ora 500 mil para o não. Lembro, com revolta - num tempo em que o PSD não existia, isto é, quando era ala esquerda da ANP - que o então gurú do grupo (não com a actual compleição de 112 cm, mas do alto de impressionantes 132 cm) afirmava com peremptório descaramento ao comandante em chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique não "poder por ele [general] manifestar qualquer respeito público, dado ser [o general] o comandante de um exército de ocupação".
Nunca votei, jamais votarei, numa agremiação de gente sem coluna vertebral, preferindo mil vezes depositar o miserável óbulo no camarada Sousesco que alienar uma molécula do meu amor-próprio com tal curibeca. Aquilo não é partido nem coisa alguma: soa a sigla comercial, mudando de símbolo e designação de acordo com as flutuações e humores do mercado. Foram socialistas, nacionalizadores, braço-dado com Vasco Gonçalves na sanha saneadora, pediram a reforma agrária, fecharam os olhos às ocupações, estiveram com o COPCON no 28 de Setembro e no 11 de Março, votaram a Constituição programática e a "via para o socialismo", encheram-se com o rebutalho dos ex-pêcê's , foram liberais, sociais-liberais, liberais-conservadores, foram esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita.
Dali pode vir tudo. Estiveram 20 anos no poder - estão no poder mesmo fora do poder - intoxicaram com lixo quimicamente puro a comunicação social, sobretudo essas ETARES que encanalharam ao limite o povo-basbaque e analfabeto. Ainda há dúvidas ? Amanhã, se o trend se manifestar interessante, estarão na primeira linha dos defensores da inclusão na Espanha.
Aliás, há um tipo físico próprio dos entusiastas da coisa: uns homenzinhos redondos e cheios de si a puxar ao falso-fino, umas meninas benzocas a brincar ao militantismo, vazias e tontas como bonecas velhas, uns meninos de gravata, repetentes eméritos e quase iletrados, agitando bandeiras e vitoriando com os dedos mas olhando para a tal secretaria de Estado, o tal gabinete ministerial, a tal assessoria. De toda essa turbamulta parece escapar, apenas, o "trapalhão", o tal que eles quiseram alijar como se esfega uma nódoa, não fosse o homem dar ao grupo um tom ideológico mais coerente.
Ao pé deles, Sócrates é um Alexandre, um César ou um Bonaparte. Comigo não contem - NUNCA - para alimentar as ambições dessa magnífica safra de Acácios.

Sem comentários: