08 fevereiro 2007

Hagiologia e literatura de terror



À Madame Min de discurso silabado e saia-saco lilás que nos apareceu ontem na pantalha só faltou fazer prova de um milagre para endossar Cunhal à Congregação para as Causas dos Santos. Depois do choque Salazar, a RTP está para tudo, até para elevar a trono, querubim, potestade ou altar um homem cuja vida se confunde com o maior cevador de vidas e sofrimento que o século XX partejou: o comunismo.


Terminada a récita - com escandaloso aproveitamento para propaganda da causa infanticida - retirei da estante um livro de Pacheco Pereira: A Sombra: estudo sobre a clandestinidade comunista. Uma história de horror, um universo de catacumba, com os controleiros e verdugos, as "companheiras" escravas, a justiça expedita, as ameaças, a privação da intimidade e da vida sentimental, os pseudónimos, as pistolas e os segredos. O PC criou, na clandestinidade, um mundo de trevas, uma sociedade paralela marcada pela suspeição, pela vigilância e pelo ódio à vida habitual a que aspiram os homens comuns. Se tivessem conseguido apossar-se do poder, com aquele líder, com aquela gente sinistra, teríamos penado verdadeiros suplícios.

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