15 fevereiro 2007

Destaques em atraso






Só ontem tive oportunidade de dedicar duas horas de proveitosa leitura ao último número da Atlântico, sem dúvida o que de melhor se pensa e escreve em Portugal nos dias que vão correndo. A geração ascendente dos liberais canónicos - não desses que se dizem liberais quia absurdum, num tique irritante de adoração pelos reflexos secundários da prática do liberalismo económico - parece estar a conseguir estruturar uma sólida recepção portuguesa de uma escola, de uma doutrina e de uma atitude que são marca distintiva do pensamento contemporâneo de matriz ocidental. Lembrando outra linha, outros tempos e outros modos, creio estar a Atlântico para o pensamento liberal como esteve o Futuro Presente para o aggiornamento do arsenal ideológico da direita não sistémica no início dos anos 80.
Num registo distinto, não posso deixar de assinalar a crescente afirmação de um dos mais inteligentes e profundos prosadores doutrinais da blogosfera, o nosso caro Corcunda, cuja sucessão de textos tem enriquecido, estruturado e fundamentado sobremaneira um pensamento tradicionalista que há muito se havia ancorado numa subcultura anos 20. O Pasquim da Reacção, pesem as divergências que nos separam, é felizmente o eixo de renovação de uma doutrina sem expressão politiqueira, mas sem a qual é impossível compreender os caboucos de uma atitude portuguesa face ao mundo actual. O Pasquim da Reacção demonstra uma segurança, uma firmeza e uma honestidade notáveis, assumindo por vezes verdadeiro e desarmante espírito provocatório face aos ídolos do pronto-a-pensar a quem se agarraram as direitas e as esquerdas esquecidas da aventura do pensar.

Sem comentários: