05 fevereiro 2007

Mais algumas razões para não votar Sim


Fina d' Armada, ufóloga, fatimóloga e nostradamóloga, cristã primitiva ajaezada de bem-aventuranças agora convertida às excelências da campanha pró-aborto, tenta a quadratura do círculo. Pretende justificar no cristianismo a legitimidade da "barriga é nossa", invocando a decisão de quem o pratica. Mais, socorre-se de artilharia supostamente científica para corroborar a sua cruzada. Ora, Fina d'Armada parece viver há 60, 50 ou 40 anos. Toda a argumentação reunida pela eminente historiadora sofre de anacronismo ante-diluviano, pecêpesco e moralão que importa rebater, lembrando:
Há em todas as esquinas máquinas de preservativos. Há em todas as farmácias espermicidas e pílulas do dia-seguinte acessíveis às pobres donzelas que, como dizia a rábula, "sabiam para o que é que iam; sabiam, mas iam". É tempo de acabar com a a velha estória das pobres meninas, criadas de servir, chegadas da província e abusadas pelo patrão lúbrico ou pelo magala. Este rebaixamento paternalista da mulher, encarada como objecto da fisiologia do instinto masculino, é insultuoso, porquanto as mulheres sabem perfeitamente fazer uso da sua sexualidade. No fundo, a responsabilidade de decidir a que alude a preclara historiadora, esconde uma mentira aquietadora com que o PC se imunizou do remorso de haver feito das "companheiras" objectos para uso e gozo dos clandestinos. O PC foi sempre pelo aborto por uma questão de utilidade da máquina. Durante anos, essas escravas ideológicas lavaram a roupa, fizeram a sopa, remendaram as meias e deram a sua juventude aos militantes clandestinos. No universo concentracionário do Leste, os regimes perseguiram de forma cruel e sem assomo de piedade o aborto. A excessiva monomania pecêpesca esconde, tão só, essa dura realidade interna na história do quotidiano da clandestinidade.

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