18 janeiro 2007

Our son of a bitch


O desencontro de posições entre o PR e o PM no respeitante à preferência das relações com os dois gigantes asiáticos emergentes não é, decididamente, manifestação de inteligência, muito menos de serviço de Estado. O pequeno protagonismo opinativo não é matéria relevante se confinado intramuros, mas transforma-se em grave atentado ao interesse nacional se prolongado no domínio das relações de Portugal com outros Estados. A diplomacia e as relações internacionais não se devem pautar por preocupações de sensibilidade, afinidade ou discordância com os regimes vigentes noutras paragens, pelo que pouco importa se essas relações vantajosas sejam travadas com déspotas ou com libertadores. Neste particular, devemos fazer nossa a célebre máxima: he's a son of a bitch, but he's our son of a bitch.


Não é Portugal que vai mudar a natureza e práticas do regime chinês, pelo que fazer considerações menos simpáticas a respeito de uma grande potência cuja atitude para connosco tem sido, no mínimo, simpática, é de uma insensatez clamorosa. Aliás, estranha-se tal sensibilidade, pois temos tido em África excelentes son of bitches sem que tal abale os alicerces do Carmo e da Trindade.




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