31 janeiro 2007

99 anos sobre o crime do Terreiro do Paço (1)

Guerra Junqueiro, acicatador de um crime

"Sim, nós somos os escravos de um tirano de engorda e vista baixa. Que o porco [D. Carlos] esmague o lodo é natural. O que é inaudito, é que o ventre de um porco esmague uma nação e dez arrobas de cebo achatem quatro milhões de almas !"
(Guerra Junqueiro in Voz Pública, Maio de 1906)


O grande vate nacional [Junqueiro] negociava móveis antigos e objectos de arte; possuía colecções sumptuosas, arranjadas na febre da paixão e do lucro. Constava-se que procurara vender a El-Rei algumas das suas pertenças, tituladas de magníficas, embora falhassem em maravilha e que D. Carlos as mandara comprar por intermédio de um amigo, pois sentia admiração pelo poeta e não o queria melindrar. Em suma, um pulha que fazia vista grossa a receitas, mesmo que oriundas dos cabedais generosos de um cliente que queria ver morto.
(Vide Raul Brandão, Memórias; vide Rocha Martins, D. Carlos: história do seu reinado)

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