29 dezembro 2006

OBRIGADO INSURGENTE



Não contentes por me haverem indicado para a votação dos quatro melhores blogues, os amigos do Insurgente consideram-me agora, pela voz de Miguel Noronha, "o melhor de 2006". Sei que o excesso de orgulho faz mal às coronárias, mas nunca vi ninguém recusar tamanha distinção. O babete não é suficientemente amplo para me proteger a gravata.

28 dezembro 2006

Embaixadas de Portugal: quase esgotado


Recebi-o ontem, prenda de Natal a caminho de Reis. Nada mais honroso para um bibliófilo - coitada da minha biblioteca - que receber uma obra das mãos do autor. João Corrêa Nunes, que dirigiu e coordenou a edição deste belo Embaixadas de Portugal, está de parabéns. O livro, um roteiro fotográfico admirável, produto do talento de um excelente fotógrafo (Miguel Valle de Figueiredo), com textos [bilingues] sobre a história das representações diplomáticas portuguesas no Vaticano, Nova Iorque, Banguecoque, Macau, Madrid, Londres, Paris, Pretória, Washington, Brasília e São Tomé é mais que uma obra ornamental. Constitui, que eu saiba, a mais completa panorâmica jamais produzida sobre os edifícios onde se vão tecendo as relações do nosso país com o mundo contemporâneo. Edifícios de aparato e prestígio, carreiam a imagem de Portugal e a especifidade das relações bilaterais com cada um dos Estados em que se situam, destacando a importância conferida a essas relações no maior ou menor acerto e qualidade dos objectos - pintura, cerâmica, azulejaria, mobiliário - que os decoram. Servirá, também, para subsequentes estudos sobre a gramática decorativa desenvolvida pelo MNE e, sobretudo, para fixar um inventário das peças museológicas do património português repartidas pelas sete partidas do mundo.
Conhecendo in situ alguns dos edifícios que integram o roteiro, não deixei de me espantar com a beleza que o talentoso fotógrafo conseguiu captar. A minha escolha foi, naturalmente, para a Grande e Nobre Casa de Banguecoque à qual me ligam amenas lembranças das noites de festa, dos jantares e alegre cavaqueira aí passados na companhia do embaixador Lima Pimentel - excelente anfitrião - e onde tive oportunidade de conhecer homens de grande qualidade humana e intelectual: o embaixador Marco Antônio Diniz, então embaixador do Brasil na Tailândia, o Professor António Vasconcelos Saldanha, Presidente do IPOR, que pelas ásias tão alto levantou o nome de Portugal, os dirigentes da comunidade portuguet thai-católica, músicos, tradutores e viandantes que por lá respiravam as saudades de um tecto português.
NUNES, João Corrêa, and Alberto Laplaine Guimarães, eds. Embaixadas de Portugal. / Portuguese Embassies. Prefácio de José Cutileiro. Lisboa: Polígono, 2006. ISBN: 989-20-0405

27 dezembro 2006

Depois da demofilia



Salazar na RTP

Chama hoje o caro Insurgente atenção para o silêncio sepulcral que rodeia a votação nacional para os Grandes Portugueses. O resultado da votação, segundo soube de fonte mais que segura, foi revelado em surdina nos gabinetes da RTP. Salazar venceu, mas lá está, também, o nome de Cunhal, pois o PC terá feito intensa campanha de passa-palavra para fazer entrar Barreirinhas na selecção.
Democraticamente, a RTP não quis divulgar os resultados, pois os documentários biográficos já preparados não incluiam Salazar. Ou seja, a RTP julgou pelos portugueses, encomendou dez documentários e pensou poder controlar os resultados com base em suposições. É contra este abuso de confiança e esta escandalosa apropriação dos afectos e inteligência que se me revolta o estômago. Continua, entre nós, essa peregrina tentação de manipular, distorcer e determinar o gosto e as escolhas. Ontem como hoje, há sempre um lápis azul a riscar e fazer crer que vivemos em liberdade. Se ao menos os censores fossem inteligentes. Mas não, são habitualmente mangas de alpaca semi-analfabetos, embrutecidos pelo micro-poder que detêm, entusiasmados pela mentira e totalmente falhos de escrúpulos. Assim vai a piolheira !

26 dezembro 2006

Madrugada de Natal a ler horrores

Não dormi toda a noite de 24 para 25, preocupado com o estado de saúde do meu pai, com quem nunca deixei de passar o Natal. Aliás, com tanta cafeína - excelente digestivo para a overdose [quase letal] de doçarias tragadas - até um cataléptico dançaria a mazurca ou imitaria os dervixes rodopiantes. Antes de iniciar o prometedor texto agora dado à estampa pelo Instituto Diplomático, impus-me terminar - não obstante todos os reparos aqui feitos oportunamente - A Guerra no Mundo, de Niall Ferguson, bem como Estaline: a corte do czar vermelho, de Simon Sebag Montefiore.
Pelas cinco da manhã terminei com Ferguson. Reflexão entre o cigarro e um belíssimo café matinal: o século em que nasceram os meus avós, pais e eu mesmo foi uma desgraça. Duas guerras mundiais, massacres de dimensões quase inimagináveis, dramas pessoais e colectivos pouco convidativos a qualquer respeito pelos homens. O século do nazismo, do comunismo e da bomba atómica; o século da mentira, da propaganda intoxicante e do condicionamento, embotamento e mecanização dos mais elementares sentimentos, deixou exangue a capacidade da humanidade em acreditar no que quer que fosse. O que mais me inquieta é o caminhar paralelo da racionalidade com a perversão. Ao invés do desvelamento racional - " entzauberung", utilizando a expressão weberiana - produzir uma cultura de responsabilidade e compromisso, nunca tanto fanatismo, tanta cegueira, maldade e crueldade foram direccionadas com tamanho entusiasmo contra homens singulares e povos por razões que hoje se nos afiguram como pouco mais interessantes que uma conversa de café. Um século desmedido, com a sua "greatest generation" de déspotas, de carniceiros, resistentes e defensores da Liberdade, mas, sem sombra para dúvidas, o século da loucura racional que destruiu a Europa, fazendo recuar as suas fronteiras política, económica, étnica e cultural ao século XV. A culpa de tudo isso ? Hitler, sem dúvida. O homem não "só" cometeu o supino atrevimento de declarar guerra às maiores forças do planeta (cristianismo, capitalismo, democracia, comunismo), como, não contente com essa antecipadamente fracassada tentativa, declarar guerra de extermínio a populações inteiras do Leste europeu. Hoje continuamos a pagar a factura dessa demência que estilhaçou toda a ordem antropológica sobre a qual repousava a nossa civilização, por antonomásia A Civilização.
Das seis da manhã gelada às duas da tarde, quase duzentas páginas de Estaline. Rios de sangue, exorbitâncias estatísticas pelas quais fenecem a compreensão e o espanto: fomes artificiais, escravatura, purgas, tortura, mentira e infantilização, brutalização de pessoas, povos e conceitos. Em suma, uma abundante e ilimitada sequência de capítulos para uma História Universal da Infâmia. Pergunto. Após tanta revelação isenta, tão copiosa historiografia, ainda há mentecaptos suficientes para fazer eleger deputados comunistas em S. Bento ? A crónica de horrores do Gulag, das fossas de Katyn, das matanças da Lubianka, das limpezas étnicas e da total falta de misericórdia pelos prisioneiros não espalhará, por um segundo, a incerteza naqueles que por aí ainda exaltam esse regime de sangue, fome e medo que foi o comunismo ?

25 dezembro 2006

บัวชมพู ฟอร์ด



บัวชมพู ฟอร์ด = Boa Chompoo Ford
Chuva caindo no meu coração = rain falling in my heart = fon tok long nai hau jai chan

24 dezembro 2006

Bom Natal para todos



O Natal sempre me trouxe más surpresas. Este ano, com o meu pai nas urgências, será mais triste. Contudo, sempre há a alegria das crianças, a abertura das prendas e a amizade dos amigos.