22 dezembro 2006

Natal de sultana

Para Susaninha e Senhora Sócrates, 5 dias em Doi Tung, no palácio da princesa-mãe.
Preço: Conta para a Fundação Mário Soares.

Natal de Midas

Passeio no Chao Phrya no bergantim de Rama IX, para o conforto de Bic Laranja, Corta-Fitas e André
Paga: Câmara Municipal de Lisboa

Natal faraónico

Cinco dias com acesso à sala de despacho de Chulalongkorn para o Pasquim da Reacção
Paga: Fundação Casa de Bragança


Natal espampanante

Para o Jorge Ferreira e família, no Península de Banguecoque
Preço: Conta para a tesouraria do Caldas

Natal opíparo


Para o Pedro e a Inês, na nova Ásia capitalista.
Preço: Paga o IPOR

Natal em grande


Entradas: Ostras fritas com omelete estufada e sésamo
Salmão em molho de coco
Sopa: Tom Youm Kung (sopa ácida de folhas de lima, leite de coco e camarões)
Pratos: Caril branco com sortido de aves
Satay de galinha
Vegetais fritos
Massa de arroz crocante com molho de cogumelos e carne de porco
Sobremesa: Kanom portuguet (fios de ovos) regados com calda de frutos tropicais
Café e licores
Preço: Pago pelo MNE e pela Fundação Oriente

21 dezembro 2006

Não há oposição


Teve lugar o debate sobre a reforma do ensino superior, ao qual aludem, com propriedade e profundo conhecimento, outros blogues. Assim, sendo, dispenso-me tecer quaisquer comentários sobre a matéria incidente. Porém, deste debate parlamentar, retiro três certezas:


- A oposição é uma lástima. Da extrema esquerda à direita - isto é, do pastor IURD ao limpa-chaminés, do boneco ventríloquo à figura bufante - não há um líder que consiga fazer frente a um Sócrates em crescendo de desembaraço oratório.


- O PS (isto é, Sócrates) sente-se absolutamente confortável perante a acefalia das oposições, já não se coibindo de as mandar calar com gestos e palavras que lembram o estendal parlamentar de Oitocentos.


- O Primeiro-Ministro manda no país, impõe-se sem rebuço e meias-palavras, fazendo as maravilhas de um povo que andou anos em busca de um toque-de-caixa, de uma formatura e do respeitinho que faltou a Cavaco, a Guterres e Barroso. Os portugueses gostam de uma boa torcidela de orelhas, de uma palmada e de outros quejandos castigos domésticos. Andaram anos à procura da varinha, do chinelo e da reguada. Agora têm-nos e andam contentíssimos, a começar pelos senhores jornalistas, ontem tão arrogantes, metediços e rebeldes, hoje criancinhas amestradas enxotadas pelos seguranças do PM. Isto é um país maravilhoso onde a educação passa por fraqueza e uns berros por autoridade. Sócrates é o único PM europeu que fala aos berros e vai aumentando a popularidade na proporção dos decibéis. "As pessoas gostam", "temos homem", "finalmente aparece alguém que põe ordem na casa". Ouço comentários destes no táxi, no restaurante, no café, na banca de jornais e pergunto-me se isto não foi dito e redito vezes sem conta num passado remoto.
Não há democracia parlamentar sem emulação, debate e oposição. Aqui nesta casa preza-se a tradição britânica - isto é, a tradição dos parlamentos medievais, jamais conspurcados pela arregimentação seguidista e ideológica introduzida por 1789 - pelo que gostaríamos ver na Assembleia os melhores. Infelizmente, a causa parlamentar portuguesa afunda-se na mais medíocre expressão de idiotia e embotamento.

Rebosante y lleno hasta la bandera

Conforme aqui anunciámos, teve ontem lugar no Palácio das Necessidades o lançamento da mais recente obra do Professor Doutor António Vasconcelos Saldanha, um verdadeiro tijolo de 978 páginas - usando a expressão de um dos apresentadores - que dá pelo título de O Tratado Impossível. Uma sala cheia, onde não faltaram alguns dos melhores confrades blogosféricos. De parabéns, o Instituto Diplomático, o autor e o público interessado, que passa a partir de hoje a dispor de um importante instrumento de trabalho para a compreensão de um momento crucial de adaptação do Império do Meio ao Direito Internacional.

NB: mais informações aqui

SALDANHA, António Vasconcelos de. O Tratado Impossível: um exercício de dipomacia luso-chinesa num contexto internacional em mudança (1842-1887). Lisboa: Instituto Diplomático, 2006

20 dezembro 2006

A Escócia: 28º país da UE ?

A União Europeia pode, no entanto, ser uma faca de dois gumes. É que, se por um lado permitirá a sobrevivência de mais um pequeno país europeu, por outro, caso atulhe a Escócia com subsídios, corre o risco de fazer com esta o que ela não quis da Inglaterra: ser dependente de dinheiros alheios.

A não perder, n' O Insurgente

19 dezembro 2006

Aperfeiçoar o Yiddish



Para aperfeiçoar o Yiddish, esse belo dialecto judaico-alemão, nada melhor que o disco das Barry Sisters acabado de chegar pelo correio.

Invasão da Índia Portuguesa: lembrar os heróis



A voz do velho e intocado patriotismo português contraria a cortina de silêncio e as cedências canalhas, lembrando a passagem de uma desgraça que selou a sorte da Índia Portuguesa. Ali estão os heróis que se entregaram à metralha de corpo limpo e pura consciência do dever, por Portugal, por Goa e pelo Império. Ali estão, também, as pias intenções de curibecas, daquelas que protestam amor a Portugal mas, ontem como hoje, persistem em esquecer, menosprezar ou insultar os soldados de Portugal caídos no cumprimento do seu juramento. Não se trata, obviamente, de uma questão de regime. Há regimes democráticos tão ou mais patrióticos que outros que invocam o nobre sentimento. O problema é que, entre nós, se continua a denegrir o patriotismo, esse elemento fundamental da ética social e política, arquitrave da cidadania. Não há nações sem orgulho, não há cidadania sem identidade histórica. Se o Estado Português, mal aparelhado, não cumpre a elementar obrigação de cultivar o patriotismo, quem o fará ? Para quando o completo, radical e frontal corte com o capitulacionismo, a vergonha e o complexo pós-colonial ? Para quando a entusiástica adesão daqueles que nos governam à aberta, inequívoca e orgulhosa expressão da nossa gloriosa história ?