16 dezembro 2006

Rainhas africanas

No Grand Monde

Um ano de navegação e glória

Faz hoje um ano, iniciava a conta-corrente um dos melhores blogues portugueses. Ao ilustre diplomata e homem de mundo que exibe no frontão a [enigmática] divisa dos Orange, os votos de um novo ano carregado de preciosidades - pedrarias e panache - que fariam a inveja ao maior dos Paleólogos.

15 dezembro 2006

Nova obra de António Vasconcelos Saldanha








Tratado Impossível: um exercício de diplomacia luso-chinesa num contexto internacional em mudança (1842-1887), eis a nova obra do Professor Doutor António Vasconcelos Saldanha que será lançada no próximo dia 20 de Dezembro, quarta-feira, pelas 18 horas, na cozinha conventual do Palácio das Necessidades (entrada pelo Largo do Rilvas), e terá como apresentadores Armando Marques Guedes e João de Deus Ramos.

Atendendo ao extremo interesse de que se reveste a matéria, aos predicados do autor e à qualidade do trabalho, julgo constituir esta uma ocasião única para ouvir uma das mais categorizadas figuras da vida académica portuguesa. Aos amigos e leitores desta tribuna, o convite para acorrerem ao evento.

"O que não é tradição e plágio" (Eugénio d'Ors)



Hymne a l'amour, aus einer Hommage à Edith Piaf mit Georges Moustaki, Michael Heltau, Herman van Veen und Charles Dumont

Sem palavras

14 dezembro 2006

Miss Pearls


A nossa cara amiga saiu triunfadora na votação para o melhor blogue feminino de 2006, seguida por outra grande senhora que aqui tem um fiel leitor. É verdadeiramente bom quando os amigos triunfam. Sem acrimónia, sem ideologice e politiquice - secreções da testosterona - os blogues femininos (estes, aquele e ainda aquel'outro) fazem falta à blogosfera. Os homens são sempre crianças, havendo com o passar dos anos um agravamento assinalável, com assomos de regressão a estádios de infantilismo pré-lógico. As mulheres, pelo contrário, crescem e libertam-se, racionalizam sem precisar das muletas de um credo, mas preservam [ou estudam] aquela ingenuidade que permite desdramatizar, sorrir e brincar com aquelas "grandes causas" a que os homens se agarram para dar um mínimo de sentido à comédia da vida.

13 dezembro 2006

Sapatologia: a tentação pedestre


O tema é empolgante. O sapato, o pé, o andar sobre crocodilos, serpentes e prata. Exibir, fazer-se mais alto, destacar-se de baixo para cima. D. Pedro jamais teria afirmado com tanta segurança o "esta terra que piso, este povo que amo"se não calçasse aquelas botas de macio couro com que as potestades brincam aos soldados. Santo Ballaguer exibia coruscantes fivelas do mais puro veio argênteo, sem por isso deixar de jejuar.
Pelo sapato se conhece o dono: sapato limpo e resplancente rima com unhas manicuradas e sofisticação; sapato sujo rima com desprezo por si e pelos outros. Imelda, essa incompreendida, foi a maior protectora dos produtos made in Philippines. Que desastre teria sido um Luís XIV sem saltos, um Napoleão sem botas ou um Salazar sem botinhas . Talvez Pessoa se tivesse enganado no "nada sabia de finanças/nem consta que tivesse biblioteca", referindo-se ao Nazareno. Melhor ficaria "nada sabia de modas/ nem consta que visitasse sapatarias"

Abrir fronteiras

Prendas de Natal


Recebi ontem a primeira prenda do Natal 2006, oferta de um mestre e amigo. Não resisti ao tabú e abri-o. As olheiras de hoje são o tributo que paguei por cinco horas de grandioso espectáculo vertido da tetralogia The Raj Quarters, de Paul Scott. O peso dos preconceitos e as desordens amorosas num cenário de crepúsculo imperial. Esta noite continua a saga.

Arcadia

Agrego à lista dos predilectos o insubordinadíssimo ARCADIA

Der Kongreß tanzt



Das gibts nur einmal, canta Lilian Harvey (1931)

Frauen sind doch bessere Diplomaten



Ach, Ich Liebe Alle Manner, Marika Rokk (1941)

12 dezembro 2006

O medo que chega




O Professor Pires Aurélio - por quem tenho a maior admiração humana e intelectual, e com quem tive a honra de trabalhar enquanto seu subordinado - aponta sem vacilações a causa da súbita erosão das festividades do Natal no velho continente. Estamos com medo, vamos fazendo concessões, prolongando silêncios, abdicando palmo a palmo de tudo o que baliza, dá sentido e preenche o calendário ocidental. Estamos reduzidos à condição de reféns e até já se manifestam os primeiros sintomas do síndrome de Estocolmo, uma quase dependência afectiva em relação aos criminosos e terroristas que sequestram a nossa liberdade, segurança e paz. Por este andar, o dia 25 de Dezembro será banido da lista de feriados, tal como serão proibidos os presépios, as transmissões de cerimónias religiosas através das televisões, a erradicação das disciplinas opcionais de conteúdo religioso [cristão], a decoração de montras com símbolos que possam ferir a intolerância dos terroristas, as festas natalícias das empresas, o Natal dos hospitais, a mensagem que o Presidente da República profere na quadra. O calendário é uma convenção, mas a cultura é isso mesmo, uma convenção carregada de festividades, ritos, cerimónias e práticas. Sem elas, a cultura não existe, não se actualiza. A auto-censura é auto-mutilação. Os europeus preferem suicidar-se a correrem o risco de lhes rebentar uma bomba sob os pés ! Ainda chegaremos ao tempo em que a ceia de Natal se celebrará de cortinas corridas, sussuros e três pancadinhas na porta, não vá o vizinho do lado ligar para a polícia acusando-nos de subverter a ordem pública. Estamos a entrar numa era de trevas e catacumbas.

11 dezembro 2006

Raleficação

O espectáculo do reles, o culto do canalha, o triunfo da meia-tigela, da boçalidade e do analfabetismo atingiram culminâncias dignas da mais sórdida literatura clandestina. O país está derrancado na exaltação da inveja, dos pequenos ódios e remoques, nas frustrações e no ranger de dentes. Dirigido por gente desclassificada que nem comer à mesa sabe, tomado de assalto nas universidades, nas casernas, nos bancos e na imprensa por uma plebe beata, suja e feroz - como dizia Eça - refastela-se nesta miserável lupercalia de futebóis, de escândalos e maledicência que me envergonham e me empurram para fora. Quando sair, tranco a porta e não volto. Sinto vergonha - uma tremenda vergonha - por haver tido a desdita de nascer neste tempo. Sei que o país - ai Eça, ai Camilo, ai Junqueiro, ai Martins - nunca foi muito diferente, mas ao menos ainda tínhamos uns adereços de respeitabilidade ali para os lados do velho parlamento liberal - os Fontes, os Barjona de Freitas, os Sabugosa, os Serpa-Pimentel, os Luciano de Castro - para os lados da Ajuda - D. Pedro V, D. Luís, D. Carlos - ou pelo passeio higiénico do Chiado. Parece que tudo sente, em uníssono, a atracção irresistível da queda, da capitulação e do acanalhamento.
Essa coisa suja publicada no fim de semana - que enche os noticiários, o vozerio e enche de furor coprófilo os nossos concidadãos - não é mais que um epifenómeno desse etos canalha que domina os portugueses. Não sei o que se pode ainda fazer para manter a película de respeitabilidade, mas afigura-se-me um trabalho de Hércules inflectir no plano inclinado. Somos, decididamente, indignos de nos sentarmos na Europa e reclamar a mais pequena molécula da civilização. Isto está de morrer.

Não é um Ersatz...é ERZATS

Um blogue que promete.

10 dezembro 2006

ERZATS

Compreende-se este muro de silêncio que afinal é a justificação do regime saído do golpe de 3, 4 e 5 de Outubro de 1910. Há ainda que recordar o embaraço que ainda suscita o regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 que consistiu na pedra basilar da instauração da república em Portugal. (...) Os autores morais – e muito provavelmente organizadores e financiadores – do crime do Terreiro do Paço, poderão ter criado falsas pistas e até destruído o processo do regicídio, talvez comprometedor em demasia para quem sempre quis criar reputações imaculadas. Mas a história que verdadeiramente interessa, a das provas documentais, dos testemunhos voluntários ou não, das confissões sem intenção de tal, acaba por pesar e fazer pensar quem pretenda saber mais. Como sugestão, consultemos algumas actas dos derradeiros parlamentos da monarquia, onde a total liberdade de expressão – impossível para os nossos dias – choca pelo descambar na ordinarice tasqueira, tão ao gosto nacional. A propósito e voltando ao tema do livro, António José de Almeida ( o encarregado pela organização da fabricação de bombas do PRP), dizia em plena sessão parlamentar, que desdenhava – embora dela beneficiando, claro está - , da amnistia promulgada por D. Carlos, amnistia essa “que não passava de um broche da rainha Orleães”.

Da neve e do frio



Regressou do mosteiro de Akakura.

A nova bomba tailandesa



Tata Young, a thai-americana que está a convulsionar Banguecoque !

Heroísmo

Da antologia universal do heroísmo, em homenagem a Charlotte

SE
Ruyard Kipling

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!