07 outubro 2006

Verdadeiro método de estudar: da proletarização dos stôres


Dizia há dias Silva Lopes não poderem os portugueses reivindicar expectativas europeias pela simples razão de apresentarem níveis médios de produção e escolarização apenas equivalentes a Marrocos. O bloqueio da sociedade portuguesa dever-se-ia, então, à incapacidade de acedermos a patamares superiores em que qualificação rima com mobilidade, criatividade, desembaraço, antecipação e competitividade. Assisti há dias à Fronda dos professores do secundário contra a titular da Educação. Nos rostos, nos gestos, nos estribilhos pouco mais vi que uma variação de tom de similares protestos dos mesteirais, braçais e outra micro-burguesia assustada que pontifica nas concentrações da CGTP. A revolta de muitos portugueses prende-se apenas com uma evidência: os nossos caros concidadãos não se conseguem adaptar às mudanças em curso no mundo global. Vivem aterrados e pedem a imobilização do tempo, a autarcia, o proteccionismo, o subsidiarismo e privilégios.

Temos um problema grave: os senhores professores são-no, na maioria dos casos, náufragos de um tempo em que a posse de um diploma permitia uma vida calma e arrastada sob a benevolente mão de um Estado codificador mas indiferente ao desempenho de cada um, com ordenado na Caixa Geral de Depósitos todos os dias 23, cúmplice de baixas, doenças prolongadas e declarações médicas passadas por um amigo. Se o Estado não garantia os célebres charutos, dava para abastecer a despensa, o depósito da carripana, o T2 nos subúrbios e até os 15 dias de veraneio no Algarve-Cruz de Pau. Esse tempo acabou. De nada resulta barafustar, gritar e invocar direitos adquiridos. Aliás, não há direitos adquiridos para ninguém. Os direitos são expressão da posse momentânea de capacidade de exigir e, neste particular, os senhores professores não são mais que quaisquer outros. Ou cumprem, ou não cumprem. Cumprir não é entrar às 9 e sair às 16, nem contar 30 anos para a reforma. Cumprir, em educação, é dar expressão, melhorando-a, ao indisfarçável atraso que nos separa dos outros povos civilizados. Infelizmente, os professores não constituem exemplo nem se conseguem impôr às demais classes profissionais. Tal como acontecia num passado deprimido, os senhores professores abraçam contrariados a sua corveia, como os filhos dos camponeses que transigiam com o celibato dos seminários para escapar à fome. Nesta correria que perpassa pela FENPROF há muito do mais chão, egoísta e medíocre corporativismo medieval que inquietação pelo múnus inerente à função. Sonho com o dia, espero que não distante, em que uma Carta do Trabalho Europeu permita a alemães, italianos, britânicos e dinamarqueses a docência em liceus, colégios e universidades portuguesas. Só aí, com um grande susto, os senhores professores converterão o emprego em vocação.

06 outubro 2006

Mascarenhas Barreto: a homenagem ao Historiador


Numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Cuba, da Fundação Alentejo-TerraMãe e do Núcleo de Amigos da Cuba, no próximo dia 28 de Outubro de 2006, pelas 11,00h será descerrada na Cuba a estátua de Cristóvão Colon - Descobridor das Américas.
Acaba aqui a epopeia de um homem que lutou durante décadas contra o peso de uma mentira. Colombo não era genebrino, catalão ou canarinho: era Português ! Augusto Mascarenhas Barreto, o mais sólido investigador e autor da biografia de Colon, teve de afrontar a ira, a censura, os insultos e a grosseria de uma auto-proclamada "comunidade científica" barricada nas sedes de produção e reprodução do saber oficial. Mantive durante anos uma estreita relação com Augusto M. Barreto. Nele admirei sempre o porte cavalheiresco, o conhecimento enciclopédico de todas as matérias relacionadas com a grande paixão intelectual a que devotou os mais produtivos anos de estudo, a sua quase certeza na tese que abraçou, aprofundou, enunciou e comprovou. Hoje é um triunfador. Cuba, a terra natal do navegador, rende homenagem ao insigne filho. Nas festividades, porém, há um nome - o nome de um grande historiador - que merece o maior aplauso. Seu nome, Augusto Mascarenhas Barreto.

A genética terrorista da República

" (...) É provável que o país já consiga conviver tranquilamente com a génese do regime, filho legítimo do terrorismo da Carbonária (é à força da Carbonária que se deve a implantação da República, e não aos discursos do institucional Partido Republicano Português, que se manteve mais ou menos à margem da revolução do 5 de Outubro). A Carbonária (a nossa mãe) não era propriamente recomendável - era uma organização terrorista. (...)"



A Ana Sá Lopes tem toda a razão. E se o sr. Anacleto fizesse uma revolução, impondo ao país o seu regime, mais montado na legitimidade da força que nos 5% de sufrágios que o levaram ao parlamento ? Ora, foi isso que fizeram os republicanos em 1910. Puro banditismo político, como diria Francisco Homem Cristo. A história da 1ª República é uma crónica digna dos anais policiais. De uma violência desconhecida na pacata sociedade portuguesa, os republicanos mataram, dinamitaram e intimidaram antes de se decidirem pelo assalto ao Estado. Depois, no poder, fizeram tábua-rasa de todas as promessas redentoristas e exilaram, prenderam, silenciaram e censuraram meio país. Logo que se apossaram por completo do Estado, voltaram-se uns contra os outros, como bandidos de estrada que, feito o assalto e esbulhadas as vítimas, se dizimam pela posse do saque. A República foi a desgraça deste país. De tudo o que a levou ao poder e de tudo o que obrou naqueles 16 anos subsequentes nasceu um país doente, irado, invejoso e devorado por ódios de camarilha. Foi a República que nos tirou da Europa, foi a República que fez Salazar, foi a República que tornou possível o PREC e a descolonização. Compreendo agora que ninguém tenha acorrido ontem às comemorações.

Bombardeamento camiliano



no Je Maintiendrai


05 outubro 2006

D. Carlos I, o cientista e o artista


Lá fora, na Praça do Município, há uma banda, muitos meninos arrebanhados pelas juntas de freguesia e pelas escolas, uns bombeiros tirados da cama e meia dúzia de pequenas potestades, os chamados servidores do Estado. Dizem que hoje se celebra a implantação da república. Sim, primeiro mataram o Rei e seu filho, varejados a tiro como feras; depois, semearam de bombas meia Lisboa e perderam sucessivas eleições, até que se resolveram tomar o poder a tiro. Era uma minoria, armada e violenta, carregada de baias de um positivismo rançoso, de um desprezo incontido por Portugal. Não queriam o rei. Puseram lá, ao longo de décadas, duas dezenas de figuras cujo nome, só por piedade, ainda resiste nas lápides de ruas e praças. O rei morreu, mas dele ficou a memória de um pintor de grande talento e um cientista que ombreava com os maiores oceanógrafos do seu tempo. Pequenos detalhes !

D. Manuel, o bibliófilo

5 de Outubro em casa, folheando Livros Antigos Portugueses, 1489-1600, monumental estudo sobre as origens da arte negra/arte da imprimação em Portugal, da autoria de Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança, nosso Rei. Procuro na estante obra da autoria de um "senhor presidente" e só encontro a Maria Adelaide, de Manuel Teixeira Gomes, o único senhor presidente que sabia ler ! Diferenças.

04 outubro 2006

Homenagem a Koizumi

O homem que mudou o Japão

O Brasil de D. Pedro II e o Brasil de Lula


Em 1889, um pronunciamento de marechais derrubava a monarquia de D. Pedro II e com ela o derradeiro laço institucional com Portugal. Monarca constitucional, o imperador durante décadas procurou abolir a escravatura no Brasil, sem contudo poder contrariar os grandes interesses instalados que influiam directamente nas decisões do parlamento. Em finais da década de 80, mais de vinte anos após a guerra civil americana, a abolição era uma inevitabilidade contra a qual o país não poderia resistir. A princesa herdeira Isabel assinou a Lei Áurea, selando simultaneamente o destino da coroa. Os grandes proprietários e o oficialato - os futuros coronéis jagunçeiros tão bem retratados por Jorge Amado - colheram a sua vingança e proclamaram a república, escolhendo como presidente Deodoro da Fonseca, homem ligado aos sectores esclavagistas.
Homem de grande dimensão moral e intelectual, D. Pedro II partiu para a Europa tal como sempre viveu: de forma discreta e numa modéstia de meios que roçava a pobreza. Grande amigo de Portugal e das letras portuguesas - aqui registo as frequentes visitas que fez ao meu tetravô em S. Miguel de Seide - com ele terminou a natural comunicação familiar entre Portugal e o Brasil. Depois disso, com a republiqueta de 1910 e a república dos esclavagistas brasileiros, as duas nações separaram-se definitivamente. Nós, como eles, temos sido presidenciados por uma já longuíssima trupe de oportunistas, feirantes e nulidades, fardados ou desfardados, quase todos envolvidos em negócios mais ou menos turvos, num caudal inusitado de aventureiros de baixíssima extracção. Lá, como cá, a República foi implantada pela violência armada de uma minoria insignificante - os republicanos brasileiros só detinham três lugares na Câmara dos Deputados - cresceu em desmandos e acobertou os interesses mais escusos.
Não dedicámos qualquer atenção ao episódio Lula 2, ainda a decorrer no Brasil. Afinal, parece que nem tudo correu como se previa, porque a excelência não foi plebiscitada nem retornou ao palácio aos ombros do Quarto Estado. Parece que "o filho de operário e mãe analfabeta" - como ditirambicamente lhe chamava um escriba do nosso jornalismo de periferia - não conseguiu fazer passar a imagem de pai dos pobres e famintos. Os brasileiros parece que não gostaram do mensalão e caiu-lhes mal a arrogância presidencial da recusa em debater os problemas nacionais com os outros candidatos. Afinal, o que teria José Inácio para dizer ? O que leu ? Que preparação possui para dirigir a sexta nação do planeta ? É por esta e por outras que sou monárquico e defensor de uma democracia meritocrática.

03 outubro 2006

Nova Monarquia



"É com contentamento, acompanhado de profunda tristeza, que tenho vindo a conhecer o que em tempos adoptou o nome de Nova Monarquia.
Contentamento pelo que foi, disse e, sobretudo, fez! Mais do que lançar farpas e discorrer sem fim sobre como agir, arregaçou mangas, chamou juventude, dinamizou formas de campanha, inventou outras tantas e cresceu sem precedentes. Sinteticamente, fez frente ao imobilismo da militância monárquica, transportando-a para um plano verdadeiramente interventivo.
Não me revejo na totalidade das linhas mestras da NM, mas uma coisa é certa: fez o que tinha de ser feito.
A profunda tristeza é causada pelo estado actual de coisas. Vendo bem, a situação de estagnação a que a NM ripostou é uma realidade presente. Que dizer daquela Causa Monárquica que, em tempos, tão bem apelidaram de “causa sem efeito”? Quais as consequências dos seus congressos, jantares e reuniões que não seja o encontro dos amigos de sempre para fumar a charutada e beber os whiskys? Salvo raras excepções, são todos uns acomodados do “movimento”.
Quero lançar o desafio, se para isso tiver alguma legitimidade, para que o caríssimo e ilustre fundador da NM,
Miguel Castelo-Branco, complete este depoimento em boa hora iniciado. Seria uma mais valia para o conhecimento da historia de tão saudoso movimento."

No Estado do Tempo

Passaram muitos anos. Se voltasse às origens não teria feito muito do que fiz nem tomado muitas decisões que então estimei importantes para desancorar o movimento monárquico do marasmo. Ganhei centenas de inimigos, uns que nunca me conheceram, outros pelo despeitinho português, outros ainda pelo "respeitinho" que nunca exibi por medíocres e mitos. Ganhei, também, amigos para sempre. Valeu a pena ? Valeu. De nada nos valeu, porém, termos razão antes do tempo, dizer o que ninguém queria ouvir, agir quando todos se refastelavam no regabofe da magnânima Europa dos subsídios e nas ilusões ali-babescas do cavaquismo desmiolado. O nosso sonho era o de um Portugal reerguido do miserabilismo, de um governo misto, de uma comunidade lusíada numa Europa das nações. Tudo isso é hoje subscrito pelos PSD's, CDS's e PS's. O nosso erro ? Falar 20 anos antes que os outros se rendessem à evidência.

Miguel Castelo-Branco


Viva a lei da oferta e da procura

São muitos os "blogadores" que se queixam da falta de público para as suas récitas, pontapeando o mundo, insultando os poucos leitores que lhes batem à porta com lamentações e acenos de segredos que jamais revelam. Estão para a "blogosfera" como os micro-partidos prenhes de ideologia, propostas e vontade de protagonismo. Contudo, se deles nos abeirarmos, verificamos nada ali haver para além de bagatelas, coisas sem importância alguma, pisadas e repisadas, tão próximas do "está um belo dia", "hoje está a chover", "ontem fez frio". Nisto, como em tudo, há uma fronteira: o que tem qualidade fica, o que não tem, desaparece. É a lei do mercado.

Alameda Digital




Convidaram-me, o Pedro João e a Inês, para colaborar na Alameda Digital, que agora sai em formato definitivo. É uma revista tão boa ou melhor que muitas outras que por aí vão saíndo das rotativas. Fiel intérprete do interesse nacional, formativa, informativa, patriótica, só enobrece quem com dedicação e inteligência a pensou e lançou.
Desejo-lhes o maior sucesso.

02 outubro 2006

Livros malditos: no inferno das bibliotecas (4)


De revolutionibus orbium coelestium (imp. 1543) / As revoluções dos orbes celestes, de Copérnico, só conheceu tradução portuguesa em finais do século XX. Bem sei que o latim foi durante mil e setecentos anos a língua franca do saber, mas no caso vertente, deveu-se à teimosa rejeição da comunidade científica meridional em aceitar a derrocada do sistema geocêntrico ptolomaico, serventuário da física e astronomia aristotélicas. A polícia do espírito, confundindo hipótese científica, método científico e dogmática teológica, chegou mesmo a ordenar a Galileu (!) que refutasse Copérnico, sob pena de penalizações. Assim ficou no inferno do Index até 1835, já sobre ele tinham passado Kepler e Newton. Segredo de Polichinelo, pois até a reforma do Calendário Juliano, ordenado por Gregório XIII, só poderia ser executada mercê do reconhecimento do heliocentrismo. Ocorre-me Copérnico e a sua desdita quando, hoje mais que no passado, tantos leigos se pretendem imiscuir nos laboratórios onde se prepara um futuro decente para doenças degenerativas, malformações e outras desgraças a que nem a legião de todos os anjos e santos pode acudir.

Acho-os uns...chatos


Pergunta-me um caro leitor por que motivo, sendo eu de direita, dedico tanto tempo a debicar "a minha família" política. Respondo com pesar: a direita que temos é insípida, arrogante, atrasada, provinciana, fechada, supersticiosa, maledicente, semi-analfabeta, repetitiva, antiquada, estéril, moralona, afectada, cinzenta e geriátrica. Metade da direita nativa assemelha-se às célebres "irmãs perliquitetes" e a outra metade aos bandidos da serra da Gardunha. Quero lá, tenho lá paciência para ouvir as novas da ofensiva de verão da Wehrmacht, do último grito do pack "75 mm feld howitzer", dos últimos discursos de Armindo Monteiro e Mário de Figueiredo, das minudências do "projecto global" por detrás do 25 da Silva, se havia chouriços ou munições nas palettes que Costa Gomes enviou para Vacila e Salva - perdão, Vassalo e Silva - se Delgado vinha ou não para Portugal para se entregar e se foi morto ou não pela PIDE em associação com o PC, se a censura, a pena de morte, as touradas e a caça são nobres instituições, se o país está perdido, se os esmaltes, arminhos e veiros do escudo dos Nogueiras, dos Silvas ou dos Pereiras devem ser gironados, terciados ou esquartelados, se António Sardinha era ou não melhor poeta que historiador, se a Mocidade Portuguesa usava calções até aos 14 anos e calças até aos 18, se a Legião tivera como influência directa os camisas castanhas ou os camisas negras, se António Ferro foi ou não foi um bom propagandista, se devíamos ou não ter emprestado os Açores aos EUA, se os ciganos são ou não descendentes dos hunos, se a porca de Murça é ou não uma deusa... sei lá, uma floresta de magnas preocupações que não me despertam a mínima atenção.

Senhora Sócrates

Não, não é uma brincadeira, é um blogue de timbre filosófico da autoria de uma classicista. Bom sucesso, Adriana.

01 outubro 2006

Viva o rococó, a paz, o luxo e o ócio


A tradição historiográfica de uma certa direita detesta Atenas de Péricles, a "decadente" Roma imperial, o Renascimento, Luís XV, a Belle Époque e os anos 50, preferindo-lhes a Esparta do mítico Licurgo, a Roma dos rudes patrícios republicanos, a Idade Média castelã, Luís XIV e as tempestades de aço de que Ernst Jünger foi entusiasta anotador. Esquecem-se que de Esparta não há monumentos, joalharia, literatura e Filosofia; que a Roma anterior ao principado era um tugúrio infecto e perigoso, a Idade Média idealizada pelo romantismo uma era que nunca aconteceu; que Luís XIV atirou a França para a penúria e que o nacionalismo belicista atirou a Europa para o colapso. Austeridade, rigor, atmosfera de caserna e disciplina esmaltam a ideia de uma sociedade inteiramente devotada às preces, à guerra e ao respeito pelas instituições. As ideologias políticas são redutoras, fabricam o passado e inscrevem-lhe preocupações hodiernas. Ora, se me fosse concedido o privilégio de poder revisitar o passado, escolheria sem pestanejar a França de Luís XV, entre a Regência e a Guerra dos Sete Anos: a delicada França de Boucher e Chardin, da Pompadour, dos salões, do agradável em vez do sublime, da elegância em vez do monumental, da beleza coquette, das lettres, das encadernações de luxo, da indústria cosmética, do fogo-de-artifício, da indústria da palavra e do teatro de Marivaux. Da paz decorre a prosperidade, do consumo o trabalho e a criatividade para os artífices, da abertura mental a diplomacia, a ciência e a especulação, da aceitação do mérito uma nova aristocracia. Essa França tão detestada por Maurras [e pela tradição jacobina] produziu homens de excepção e foi, momentaneamente, o farol do Ocidente. Não esquecer que em tal sociedade os privilégios do nascimento eram secundários e que em 1789 apenas 5% da nobreza não era oriunda da aristocracia do serviço do Rei. Depois, veio a turbamulta, a guerra, o ódio, as chacinas, a histeria ideológica de que a Europa jamais conseguiu sair.