25 agosto 2006

Mau tempo, em pleno verão

Os incendiários devem andar deprimidíssimos. Tanta névoa e neblina, tanta chuva miudinha para estragar a campanha estalinista da terra queimada para a season 2006. Tanto madeireiro sem matéria prima, tanto construtor civil sem terrenos para edificar, tanta redacção sem notícias. Os números do desemprego ameaçam disparar. Enfim, um rol de desgraças...

União das direitas


"É neste universo muito mais vasto - hoje curiosamente visível, por exemplo, na blogosfera - que as direitas (e as suas novas gerações) se manifestam e se arrumam numa organicidade inorgânica, muito mais produtiva no plano das ideias e muito mais estimulante no plano interventivo. É assim que exercem a sua influência com um alcance transversal, suprapartidário, e comprovada eficácia. " (Maria José Nogueira Pinto, no DN)
Maria José tem plena razão. Os partidos, os partidinhos e os movimentinhos, que reunem sempre os mesmos 30 ou 40 folgazões em tristes desfiles, apresentam-se a eleições sem um pingo de originalidade, com fraseologia ante-diluviana e um discurso paupérrimo que atesta a mendicidade intelectual e cultural de uma direita roncante, supersticiosa e falha de ideias. A(s) direita(s) não pensam, não cativam e parecem, umas, querer o monopólio do horror, outras, o monopólio da sensaborice. Ouço ou leio as entrevistas dadas pelos líderes da(s) direita(s). Aquilo é impublicável, num nível tão vão de escada, tão repetitivo e medíocre que causa espanto. Não têm esses "líderes" assessoria, conselheiros e amigos com algumas letras que lhes possam garatujar duas ou três frases inteligentes ? A direita é minoritária e tem de se valer de rasgo, criatividade e luz.
A blogosfera permitiu o milagre: quebrou o sortilégio de uma direita de fados, toiros e cacetes, entre a homilia e a nostalgia, e mostrou existirem pessoas interessantes, bem preparadas e com vontade de servir. Trouxe e exibiu do pior, mas proporcionou voz àqueles que detestam as colagens de cartazes, as catequeses, o clubismo e a sempre incontornável promiscuidade que faz a vida dos partidos . O pior está aí a morrer todos os dias em blogues que já ninguém consegue ler. O melhor triunfou, prospera e ganha novos leitores. Maria José tem toda a razão. Palmas.

23 agosto 2006

Zeca Afonso (2)

Primeiro um, depois três, um pouco mais tarde 8; agora 10 (dez) mails de protesto. O tiro acertou em cheio. Não, não odeio o homem, como não odeio ninguém. Pretendo, como tem sido um hábito aqui da casa, revolver mitos e Zeca é um daqueles intocáveis a quem se acendem velinhas todos os dias. A "direita moderna"- aqui retiro a expressão ao Letras com Garfos, que leio sempre com prazer - tem de ser iconoclasta sem ser ordinária, clara sem ser extremista, intransigente defensora da Liberdade e da democracia contra tudo o que, doa a quem doer, continue a cultivar o jardinzinho dos cactos totalitários. Ora, Zeca Afonso era, sem qualquer dissimulação, um extremista, um plus-ultra do comunismo. Limitei-me a dizer o que todos sabemos: aquele reportório é um caldo de ódio, ressentimento e acicate à violência. As pessoas gostam de mitos. Outras gostam de mitos e mentiras. Outras ainda, de mitos e mentiras abundantemente regadas em santidade. Ouço Zeca Afonso e digo para os meus botões: era um péssimo cantor e um homem violento e intolerante. Disse alguma inverdade ?

O pacto


Importante efeméride lembrada pelo Misantropo : faz hoje precisamente 67 anos que os "tios" Iosif Vissarionovich Dzhugashvili e Adolf Alois Schicklgruber decidiram iniciar a guerra contra as "democracias plutocráticas e reaccionárias do Ocidente". Sem o acordo nazi-bolchevista não teria havido Rethondes, nem Batalha de Inglaterra, nem Dresden, nem Berlim dividida, nem o NKVD passeando-se pela Unter den Linden, nem Pearl Habour, nem Hiroxima. O nazismo, variante alemã do reaccionarismo modernista que foi o bolchevismo, perdeu o jogo. Quis tudo, perdeu tudo e arrastou a Europa para o nadir. Ficou o comunismo, que espalhou os seus males pelo mundo.

Tínhamos ou não razão ? Fraude na Reuters

Está aqui tudo, preto no branco: o jornalista da Reuters fez fraude. Acabaram os ratos Mickey, os ursinhos de peluche, o barbudo salva-todos, a desgraçada que perdeu duas casas, o falso morto.

Zeca Afonso ou o ódio idolatrado


Aquela voz fanhosa, embargada pela raiva - um ódio que se desprendia a cada palavra - nunca foi do meu agrado. Incomodava-me o tom, o conteúdo e a vaidade mal dissimulada de José Afonso. O baladismo - o da esquerda, como o pouco de direita que por aí se ensaiou - nunca fez o meu cup of tea. Vulgar, "intervencionista", manipulador de afectos e reacções primárias, ersatz da verdadeira arte - que se quer inútil - está para a música como o neo-realejo para a literatura, a publicidade para a fotografia, os retratos de rua para a pintura, os bordados para as belas-artes. Julgo, até, que os baladeiros, não fosse o baladismo, nunca seriam músicos reconhecidos pelos colegas de ofício. Foi uma geração de protestarismo fácil que se impôs de fora da música, que se profissionalizou, coleccionou fama e proveito e nada deixou. Servirá, quando muito, de retrato de uma época em que uma guitarra e uns poemecos carregados de baias e lugares-comuns faziam as delícias de um povo mal-informado, sem referências e prenhe de utopias. Alguns baladeiros por aí continuam como se o tempo não tivesse passado: os irmãos Salomé, o rotundíssimo Tordo, o Sérgio Godinho, o repetidíssimo Manuel Freire - quantos milhões de vezes já cantou a maldita Pedra Filosofal do Gedeão ? - e o vestusto Mário Branco. Reconheço que houve excepções nesta geração de improviso: Adriano Correia de Oliveira, uma bela voz munida de impressionante aparato poético e, no registo afadistado, o grande Carlos do Carmo.
No passado fim de semana, a RTP exibiu um verdadeiro show de totalitarismo revivaleiro. Zeca Afonso divinizado, exaltado e tido como um "génio", deu azo a uma torrente de cançonetas de incontinente pendor marxista terceiro-mundista. As palavras sempre as mesmas (solidário, inquietação, amigo, companheiro, Maio, ceifeira), o ritmo puxando ao falso-rústico das "raízes" - outra palavra detestável - e a finalidade escancarada: tornar aceitável o abjecto (roubar, sanear, vingar, matar) e abrir portas ao totalitarismo comunista, tornando-o justificável à luz da rábula cantada. Zeca Afonso tinha um ar perturbado, queria mais, mais revolução, mais plano inclinado, mais ocupações, mais saneamentos, mais controlo operário, mais comissões de bairro - aquelas que faziam listagens com as pratas, os quadros e os aquecedores existentes nas casa dos inimigos de classe - mais poder popular, mais armas em boas mãos para defender a revolução; ou seja, mais balbúrdia que pedisse, no fim, mais um Estaline. Aquilo é Babeuf, Marat, a Comuna de Paris, a propaganda pelo facto do bombismo anarquista, mais comunalismo utópico em que entram as CEB's (Comunidade Eclesiais de Base), as Comissões de Ocupação de herdades (as célebres "comprativas"), os padres Max de gola alta e barbas à Sierra Maestra, a Teologia da Libertação, as mulheres-padres, os poetas repentistas e analfabetos (quantas vezes tivemos de engolir o banalíssimo Aleixo ?), o new-age dos alucinogénios e de outros estados de consciência alterados, o abortismo dá-cá-aquela-palha; sei lá, um sem-número de coisas sem mérito elevadas nos pedestais no culto do mau. Sintomaticamente, o programa terminou com uma discursata do inefável "Zeca": "a minha democracia não é a dos votos, mas a do poder do povo". Pois. Uma democracia da rua, de tiros na nuca, prisões arbitrárias, campos de concentração, reeducações e penúria para todos. Uma democracia sem eleições, sem debate, sem opinião pública. Uma democracia com censura, com estribilhos, pinchagens e lavagens ao cérebro. É o que me indigna em tudo isto. Como se pode dourar aquilo que viola a democracia, a liberdade e a dignidade humana ? Como podemos abrir portas ao mundo que nos cerca se nos mantemos barricados nas superstições, ódios e quimeras que levaram à morte de tantos mihões, a tanta tragédia humana e tanta fome ? Só quando essa geração sair de cena poderemos, finalmente, aspirar à Europa.

22 agosto 2006

Conspiração "anti-sionista"

Depois de ver tamanhas evidências, perguntamos: afinal, há uma conspiração sionista ou uma conspiração anti-sionista ?

Mão baixa do imparável SG Buiça

Timor Leste devia ser um Estado associado na nação portuguesa

O Insurgente mete o dedo na ferida. O mito da independência sem pernas (e sem cérebro) é calamitoso para quem a quer e não pode manter, bem como para todos, como nós, que mantemos a ilusão de uma paridade de relações que não existe nem pode existir sem que Timor Leste ganhe a maioridade que dita a liberdade. Em vez de mandarmos uns colonialistas encapotados fazer-lhes a Constituição, como aquelas que Napoleão despachava com os irmãos para os tronos europeus, melhor teria sido a reintegração na nação portuguesa com estatuto de Estado associado. Seriam mais felizes, teriam tempo para constituir um corpo dirigente capaz, mais infraestruturas, mais riqueza e paz social. Continuamos fiéis ao colonialismo, só que agora numa versão ainda mais paternalista e hipócrita. Xanana estaria, decerto, bem mais interessado em ser um João Jardim, sem bananas mas com café, que o refém das forças australianas, malaias e portuguesas na balbúrdia de Díli. Assim já não dá !

21 agosto 2006

21 de Agosto de 1968: panzer-bolchevismo


Faz hoje precisamente 38 anos que a União Soviética e seus satélites invadiram a Checoslováquia invocando a doutrina Breznev da "soberania limitada". A Primavera de Praga chegava ao fim, demonstrando que não haver reforma e evolução possível para um regime totalitário, nem possibilidade de auto-determinação para povos esvaziados de soberania e submetidos a tratados desiguais. A Europa de Leste era, de facto, um embuste à luz do direito internacional. Ocupada militarmente, estreitamente subordinada a Moscovo por um pacto militar e por uma organização económica que cumpriam apenas as necessidades soviéticas, dependia inteiramente de um "residente" russo - o embaixador, que habitualmente cooptava as figuras ministeriáveis - e de um corpo administrativo colonial composto por assessores e "conselheiros" nomeados pelo Kremlin. Outra devastadora conclusão que a invasão precipitou - dela nascendo a primeira grande vaga de desiludidos comunistas - foi a impossibilidade de "um comunismo de rosto humano", tão em moda entre a quinta-coluna dos crismados euro-comunistas. O comunismo é irreformável e todos os estudos de sovietologia demonstram ter sido um tipo de regime absolutamente despótico que, após matar a sociedade civil, calcado a lei, desrespeitar a separação de poderes e declarar guerra ao mercado, à propriedade e ao indivíduo, não tinha nem objectivos, nem modelo de sociedade nem projecto antropológico. Foi uma burla absoluta, que viveu e sobreviveu graças à propaganda externa, ao medo interno e à imposição de uma classe dirigente ociosa, corrupta e parasitária. Em Agosto de 68, o comunismo estava morto, mas havia por cá quem ainda o quisesse experimentar como horizonte de felicidade, abundância e realização humanas. Parece-me inacreditável que economistas inteligentes, sociólogos, politólogos e historiadores pudessem encarar tal sistema como uma alternativa à democracia "burguesa" e ao capitalismo. Um tratado de economia política comunista não resiste a dois minutos de análise: é uma fraude, um paralogismo da primeira à última linha, um grotesco macaquear de uma nobre tradição ocidental, velha como Montesquieu, Smith, Jefferson e Gibbon. O comunismo foi um recuo histórico sem precedentes, mas demonstrou que há sempre idiotas úteis e criaturas ávidas de protagonismo prontas a servir regimes que são, por essência e acidente, a negação da liberdade.
Mussolini actor

Até os ditadores se têm de submeter à ditadura familiar.

20 agosto 2006

Mais tareia islâmica em casa
Comunistas e católicos, a fraternidade universal

A religião é assim..chamem-me agnóstico. Servir tudo, com direito a fotografia do ditador nos templos. Ainda há Vaticano ? Passou, decididamente, o tempo de João Paulo II.
(8 de Agosto, televisão cubana)
Pesadelozinho 3
Foi assim que estivemos

O grau zero da respeitabilidade, o eclipse da razão, o suicídio do Estado. Tudo em directo. É por isso que sinto um nó sempre que ouço a vox populi pedir uma nova revolução.

Já não a reconheço

A minha pátria

Obrigado ao Euro-Ultramarino e ao Sexo dos Anjos pela evocação. A minha cidade, já sem nome, combalida, macerada e arruinada, com as avenidades "Julius Nyerere", "Lenine", "Kaunda" e "Acordos de Lusaca", que eu conheci com outras lápides. Um tempo distante. Nunca mais lá voltei. Aliás, o que me levaria lá ?