22 julho 2006

Edith Piaf - Hymne à L'Amour

Vive l'amour
Edith Piaf - La Fanion de la Légion - 1954

Vive la Légion
Rita Hayworth - Gilda (Amado Mío)
Gilda - Rita Hayworth - Put the Blame on Mame

21 julho 2006

Mundialismo e globalização: o mito e a realidade

Persiste uma grande confusão entre o fenómeno chamado "globalização" e a "mundialização". Não há entre elas qualquer sinonímia, porquanto uma é um facto perante o qual temos de viver - e no quadro do qual nos temos de habituar a viver, sob risco de desaparecermos - e o segundo se apresentar como uma doutrina. A mundialização inscreve-se no mito da Utopia planetária, é tão antigo como as civilizações, revestindo-se a moda de modos vários (cosmopolitismo, tecnopolitismo, paz universal), e tendo, historicamente, relevante arsenal de propositores: Montaigne, Condorcet, Saint-Simon, Comte, Marx, Otlet e, ultimamente, o think globally. Há, por detrás do "mundialismo", uma clara apetência pela ideia de Império, aquela que mais diferenças apazigua e esbate, aquela que mais relativiza e torna possível pensar e reduzir a vida dos homens e dos povos a um mínimo de necessidades que dispensam os factores histórico-linguísticos, morais, religiosos e idiossincráticos. Os impérios foram sempre, em abono da verdade, os maiores promotores da multiculturalidade, da convivência entre populações diferenciadas; logo, respeitadores de tradições, modos de ser e estar. Para os mundialistas, todos somos aparentemente diferentes, mas essa diferença decorre, tão só, de formas diferentes de resposta às mesmas necessidades: reprodução, protecção, tecto e comida. O mundialismo menospreza a psicologia, o peso do passado e do simbólico, atendo-se unicamente às pulsões estruturadas (cultura, Estado, sociedade). Daí que julguem - desastrada e superficialmente - bastar invocar a liberdade de mercado, a democracia e os direitos humanos para se encontrarem os fundamentos de uma ordem internacional marcada pela tolerância, a paz e a boa-vizinhança. Discordo em absoluto, pois até os mais respeitados decanos do pensamento liberal reconheceram que a organização, o sucesso, a abertura à ciência, a inovação e criatividade tecnológicas, o respeito pelas minorias, a produção de leis justas e demais factores de progressividade têm a ver com factores estruturantes de comportamentos e atitudes colectivas erigidos ao longo de séculos. O triunfo da Europa e do Ocidente foi produzido pela história, longa de 2000 anos, pelo que julgar reproduzi-lo em atmosferas avessas a essas premissas tem sido nota dominante dos desastres em que o Ocidente se tem vindo a envolver. Não se queimam etapas: as coisas derivam de lógicas que decorrem geração após geração, não havendo qualquer fórmula mágica de engenharia antropológica, cultural e social que as possam precipitar. O Ocidente poderia tentar a solução gradualista, por exemplo no Iraque e no Afeganistão. Em vez de lhes imporem democracias parlamentares, tentassem , por exemplo, reimplantar formas de governação apaziguadoras da conflitualidade. A solução monárquica para o Afeganistão esteve prestes a triunfar, mas de imediato surgiram os predicadores, os mitómanos e os adoradores dos Pais Fundadores e do 14 Juillet impondo a liberdade onde esta ainda não tinha germinado. O mesmo aconteceu com o Iraque, com os resultados que conhecemos, não obstante toda a surpreendente coragem e firmeza dos soldados da "Coligação".
Falhou, nesta vertente, o mito mundialista da democracia, liberdade e mercado. Porém, um outro mundialismo responde-lhe: o mundialismo islâmico. Não sei se os caros leitores se terão apercebido que ao mundialismo democrático se opõe um mundialismo messiânico, proselitista e feroz detentor da "sua verdade" que ameaça transbordar das fronteiras históricas do Islão e entrar porta dentro pela Europa, pelos EUA, pela África subsariana e pela Ásia não muçulmana. Disse aqui há meses que os Islão está condenado à morte. Sem cair em contradição, apenas posso acrescentar que a agonia do Islão enquanto resposta absoluta ao Ocidente, pode constituir um perigo. Desesperados, estão a substituir o velho discurso do 3º mundo, nascido em Bandung, dando-lhe nova acutilância. O ódio ao Ocidente é sinónimo de inveja pela riqueza dos ocidentais mas, também, e sobretudo, pelo mundialismo ocidental que após séculos de colonização directa se quer impor no policiamento das formas de organização social, na codificação legal, nos comportamentos e na forma de governo.
Aqui chegamos à globalização. A democracia, o respeito pelos direitos das mulheres, a aceitação da participação das populações na escolha dos seus representantes, o direito à iniciativa individual são adereços do mundo globalizado. Aqui todos desejamos o triunfo da Liberdade. Não pode viver num mundo globalizado quem defenda a guerra, a extinção dos adversários, o apossamento do poder, a ameaça à paz e segurança mundiais. Se os Islão é isso, use-se a solução intermédia. Aproximemo-nos do Islão forçando-o a adoptar regimes que respeitem o peso do passado, mas garantes daquele mínimo de condições que permitam, lenta mas seguramente, abrirem-se à plena adesão da globalização/universalização da democracia. A Jordânia conseguiu-o, como também o estão a coseguir o Kuwait, os Emirados e Omã.

Dia dos prodígios

Ao longo desta semana acordaram os nossos maiores inspirados pelo deus da prosa doutrinal. Enfadado, sem recursos de originalidade, recomendo:
1) Proporcionalidades (1 e 2), no Arte da Fuga
2) Do Reino da Estupidez :partes Gagas, no Je Maintiendrai
3) A Tábua de Salvação, no Misantropo
4) As Palavras são para se Usar, na Miss Pearls
5) Os Males Nacionais (de 1 a 10), na Torre de Ramires
ADORO A LETRA: do Minho a Timor !
Divas do Franquismo (2)

Salomé - Vivo Cantando

20 julho 2006

The River Of No Return
Audrey Hepburn - Moon River (1961)(full length)
Nancy Sinatra - These boots are made for walking

Numerologia bloquista

A ler no Insurgente.
Frank Sinatra - You Make Me Feel So Young

Eu fico mas o Duque de Bragança sai

A discussão sobre o Protocolo de Estado - em surdina modelado no remanso do verão escaldante, tal como a outra, ainda mais escandalosa, que ontem terminou e isentou os deputados de declarar ligações a grupos religiosos, maçonarias e futebóis - é paradigma de um certo estado de espírito e de uma estética social que não posso deixar de contestar. Armadilhada ab initio por um forte preconceito anti-católico e anti-monárquico, a proposta do PS mais parecia um remake (envergonhado, bem-postinho, educadito) das prédicas primo-republicanas à Flausino Torres. É lamentável que algumas franjas do bloco central continuem a ditar cartas, perpetuando os mitos desse positivismo roncante que tantos estragos causou ao longo de 150 anos na relação dos portugueses com o seu passado. Sinto-me perfeitamente à vontade. Como não sou católico, reconheço que a Igreja Católica é um dos esteios marcantes da vida e história portuguesas. Como monárquico, impõe-se-me a evidência da relação directa entre a independência nacional e a monarquia.
Ora, no Protocolo agora aprovado, o Chefe da Casa Real, herdeiro dos Reis de Portugal, fica de fora, mas ficam os presidentes das juntas de freguesia, os membros das assembleias municipais, os assessores, os directores-gerais, os directores de serviços, os chefes de divisão. Se a preocupação era, aparentemente, a de dignificar cargos e funções electivas, tudo ficou clarificado ao enxertarem-se-lhe cargos de confiança política e outros providos por concursos públicos. Ora, nesta exaltação do serviço do Estado - outro mito jacobino a que os franceses se agarram como gatos a bofe - fica de fora aquele que representa setecentos anos ininterruptos de serviço à comunidade: o Chefe da Casa Real. Eu fico, SAR sai ! Uma patetice, dirão alguns. Sim, mas acrescento: um preconceito cego a tudo o que os votos, as influências e os amiguismos não conseguem obter ! Se não consegues ser-lo, elimina. Se não puderes comprar, destrói. Ressuma de tudo isto uma simples e triste palavra: INVEJA.

19 julho 2006

Primavera, de Xian Xianghai

Belíssima primavera
Desabrochem mil flores !

18 julho 2006

Sowa hits

The Peanuts - koino vacances

Ao gosto de Je Maintiendrai...ou do Misantropo ?
Divas do Franquismo (1)

Rocio Jurado

Zapatero: ódio e estupidez

Depois de tantas e tamanhas provas de imperícia, Zapatero quer agora reabrir as feridas da guerra. Nada esquecer, nada perdoar, tudo rever parece ser o lema do chefe de governo de um país que conseguiu no interim de 50 anos abandonar a cauda da Europa e afirmar-se como uma respeitada voz na cena internacional. Lembrar Franco é, para os republicanos, evocar as prisões, os campos de detenção, os trabalhos forçados e a emigração. Para os franquistas, lembrar a República implica a dolorosa lembrança da queima das igrejas, dos fuzilamentos, das fossas comuns, os comissários do GPU, a fome e a miséria de uma Frente Popular que se tornou fora da lei a partir do momento em que suspendeu a Constituição. A ilegalidade de Franco e do seu movimento militar rima com as perseguições da Cheka, o afastamento compulsivo do presidente Alcalá-Zamora, a prisão de todos os deputados conservadores em Madrid, a extinção dos direitos, liberdades e garantias; em suma, o governo da Frente Popular era ilegal e ilegítimo. A ilegitimidade de um governo não tem a ver com a invocação da vitória nas urnas, mas na forma como exerce o poder e acata as leis e o ordenamento constitucional. Nesse particular, Franco podia, com toda a honestidade, invocar o direito à rebelião. A história trágica da Frente Popular é marcada pelo apossamento gradual da legitimidade remanescente por um partido sem qualquer expressão eleitoral - o PCE - e a sua total subordinação às directivas de Estaline. Até no que diz respeito à intromissão internacional, Franco mantém superioridade: nunca se submeteu a Hitler ou Mussolini (deles recebeu apoio militar, técnico e logístico) nem permitiu que os seus gabinetes de guerra fossem cooptados por emissários estrangeiros. Ao contrário do que pensa Zapatero, a guerra de Espanha não é tabu: há centos, milhares de obras publicadas a seu respeito, pelo que invocar a necessidade da memória não passa de provocação destituída de sentido. A guerra acabou: a Espanha reconstruiu-se, industrializou-se, enriqueceu e tornou-se livre. Com a República empobreceria e teria sido, sem tirar nem por, o que foram os estados caídos sob o jugo comunista. Franco deixou um rei, hoje vértice e eixo da vida espanhola. Franco deixou uma classe média capaz de gerir um país moderno, progressivo e democrático. A República teria deixado uma nova Cuba. O ódio de Zapatero é uma infelicidade para Espanha. Ter-se-á esquecido que Franco perdoou, na medida das possibilidades, os vencidos ? É ou não verdade que Adolfo Suárez - secretário geral do Movimiento - era originário de uma família que serviu a República ? É ou não verdade que grande parte dos intelectuais espanhóis anti-franquista a Espanha puderam regressar ao longo das décadas de 50 e 60 sem que fossem incomodados ? Aconteceria o mesmo se o país tivesse a desdita de ver triunfarem as armas do PCE, dos brigadistas e dos comissários do Kremlin ?
Tenho absoluta convicção que Zapatero é republicano e pretende, se chegar o tempo, de colocar os espanhóis perante um referendo. Tenho, contudo, esperança que esse grande povo que tanto respeito saiba, uma vez mais, impedir a destruição da unidade.

CPLP: 10 anos

Cumpriram-se ontem 10 anos sobre a ratificação do tratado constitutivo da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa. Estando as celebrações oficiais centradas em Bissau, onde decorre a cimeira de chefes de Estado dos oito, não foi a efeméride esquecida em Lisboa. A Biblioteca Nacional de Portugal associou-se ao evento, disponibilizando uma pequena mostra documental reunindo publicações de natureza vária que exprimem o lento mas seguro aprofundamento de uma comunidade de 230 milhões de pessoas unidas pela história.
Acalmação: monarquia e unidade nacional

(c. 1985)
Estes também julgam que vivem há 70 anos

17 julho 2006

18 de Julho: falam os franquistas (1979)

Passam amanhã 70 sobre o Alzamiento que levou Franco ao poder em Espanha. Uma guerra civil sem quartel que assumiu contornos de uma contenda cósmica, quiçá mais radical nas paixões que a guerra mundial que se lhe seguiu. A paixão não acabou. De um e outro lado da barricada,os seguidores de um e outro campo ideológico mantiveram durante décadas as convicções.
My Fair Lady- I Could Have Danced All Night

Hoje apetecia-me ir dormir assim
Lembranças do Sião: Getting To Know You

16 julho 2006

Brasil, o futuro de Portugal

Homenagem a Agostinho da Silva

Agostinho da Silva: 100 anos que não acabam

Terá sido, sem dúvida, um dos maiores portugueses do século que passou. Teve a sorte de todos os homens superiores num país que detesta a inteligência, a liberdade e a iniciativa. Viveu como quis, saíu quanto quis, voltou quando quis. Não viveu do dinheiro dos regimes, amou e compreendeu Portugal até à medula. Alguns pretenderam colocá-lo nos altares do oficialismo medíocre: usaram e abusaram da sua imagem, dos seus gatos, da sua excentricidade libertadora. Tal como acontecera com Sérgio, com Manuel Antunes, com Saraiva, Eduardo Lourenço e Fernando Gil, tentaram sem sucesso colá-lo à carroça dos partidos, dos lugares-comuns e das superstições que legitimam aqueles que nunca leram, nunca pensaram, nunca amaram Portugal. Quando o compreendeu, afastou-se e preparou, com doçura, sem ressabiamento, o passamento. Continua vivo. Um gigante que sobreviverá aos politiqueiros, aos arranjismos e à crónica ausência de decência que nos fez o que somos: pequenos, envergonhados, cinzentos e invejosos. Ontem comprei dois volumes da obra completa de AS que a bom tempo Paulo Borges, com fidelidade, tem vindo a editar. Nestes 100 anos de Agostinho da Silva, importa que nos abeiremos da genialidade, perseverança e obra de um gigante que passou entre nós, que nos amou com paixão, sem condições, sem rodriguinhos e vacilações. Ao invés dos "intelectuais", foi um sábio, nunca da boca lhe saíu uma acusação ou uma nota de desprezo por este grande país que não merecemos.
เธอรู้ไหม - อ๊อฟ ปองศักดิ์

Tur-Roo mai = sabes ?