30 junho 2006

O futuro da língua portuguesa na Ásia


Conferência em Banguecoque. Falou-se da língua portuguesa e suas potencialidades em tempo de globalização, numa região em que a "Última flor do Lácio, inculta e bela" já foi língua franca de comunicação no trato entre chineses e malaios, siameses e japoneses, vietnamitas e javaneses. No século XVII, como lembrou Boxer, os senhores da VOC (Verenigde Oostindische Compagnie) eram obrigados a falar o português nas suas mansões de Batavia, sem o qual não se conseguiriam fazer entender.
Hoje, estamos reduzidos a uns leitorados na China, no Japão, Coreia, Tailândia e Indonésia, mais uns Alcatiris em Timor. Somos muito pouco quando comparados com o que fomos, mas a recente emergência do Brasil como grande potência econômica mundial - a sexta em termos absolutos - está a empurrar de novo o nosso idioma para a ribalta numa zona do planeta em que Ocidente e inglês surgem como sinónimos.
Falta-nos, contudo, uma Política Cultural para a Ásia, como tem vindo insistentemente a reclamar o Professor Vasconcelos de Saldanha, a mais informada voz da nossa comunidade académica especializada nas questões do Oriente. A Ásia não é só Macau, Goa e Timor-Leste. Uma diplomacia cultural avisada deve incidir prioritariamente nos grandes pólos onde se está a fazer do futuro: Pequim, Xangai, Tóquio, Banguecoque, Singapura e Djacarta. Se não o fizermos agora, continuando a regar o pequeno canteiro das respeitáveis glórias passadas, corremos o risco de estar a empurrar a língua portuguesa para a humilhante condição de fóssil vivo.

28 junho 2006

E Portugal brilhou na noite de Banguecoque


Celebrou-se aqui há dias no Plaza Athenee, a comovente evocação da velha aliança entre Portugal e o Reino do Sião. Com a presenca da Princesa Sirindhorn, quatrocentas pessoas encheram literalmente o Grand Hall para ouvir o concerto para piano e orquestra em Lá Maior de Vianna da Motta, superiormente executado por um bom amigo, o pianista brasileiro Paulo Zereu. Seguiu-se-lhe E se mais Mundo houvera, lá chegara, composto especialmente para o evento por Pathorn Bede Srikaranonda de Sequeira, com acompanhamento de orquestra, barítono e coro. Pathorn de Sequeira revelou-se como promessa de grande compositor - já aclamado nas europas e americas - mas e exibiu aqui um tremedo orgulho em descender daqueles portugueses que aqui se fixaram em meados do século XVI e jamais deixaram de reclamar a pedatura católica. Ouvir um coro tailandês entoar o nosso hino e as estrofes mais exaltantes de Os Lusíadas a milhares de quilómetros de casa, deitou-me literalmente abaixo. Não sou homem de grandes comoções, mas aquilo foi tremendo. Abandonei a sessão com o coração cheio, dizendo para comigo mesmo que Portugal ainda vive. Tenho pena que os portugueses não tenham consciência da grandeza que o nome de Portugal ainda preserva por estas remotas paragens.