05 maio 2006

Altivez europeia

Orgulho índio

Dignidade asiática

Grandeza africana

La mort du souverain


Não perder, no Insurgente, a autópsia de Chirac. Há, entre os presidentes franceses (e não só) uma inclinação quase incontrolável para os negócios, para o amiguismo mafioso e para a utilização ilegal dos serviços das secretas. Depois do gangsterismo de Mitterrand - um caso patológico de megalomania, ocultação de crime e mentira compulsiva - vem o Sr. Chirac, em tempos paladino das virtudes republicanas, a par dos negócios com Saddam e Arafat.

Irenismo: Filosofia sem metafísica, religião sem Deus

Reino de Lana: Shangrila redescoberta



Bonzos em busca da aniquilação do Ser (2004)

Estradas Reais: do Chao Phraya ao Mékong

Fogo do Nirvana

O portageiro de Elvas

1) Tenemos una história común: Aljubarrota, Atoleiros, Trancoso, Toro, Alcântara, Arouca, Castelo Rodrigo, Linhas de Elvas, Montes Claros, Ameixial, Montijo...
2) Tenemos una lengua común: línguas itálicas, família Íbero-Romance: Castelhano, Catalão, Galaico-Português, Asturiano, Extremenho, Moçárabe (morta), ladino (morta)...
3) Hay unidad histórica y cultural: "De Espanha nem bom vento nem bom casamento"...
4) Iberia es una realid que persigue tanto en el gobierno español como en el portugués:
a) De la conquista y pérdida de Portugal / por Serafín Estébanez Calderón. Madrid : s.n., 1885 (Imp. de A. Pérez Dubrull). 2 v.
b) Felipe II y la conquista de Portugal : Discurso leido... 1927 en conmemoración del IV centenario del nacimiento de Felipe II.../ por por Hilario González. [Toledo] : A. Medina..., 1927
c) Relación puntual de la conquista de Serpa en las Fronteras de Portugal, por las Armas de su Magestad el Señor Felipe Quinto, Mandadas por el Excelentissimo Señor Duque de Ossuna. [Madrid : Antonio Bizarrón, s.a.]
d) La Iberia : Memoria sobre la conveniencia de la unión pacífica y legal de Portugal y España / escrita por Don Sinibaldo de Mas. Madrid : M. Rivadeneyra, 1854
e) La Unión Ibérica : estudio crítico, histórico de este problema formado con cuanto acerca de él han escrito los historiadores / Juan del Nido y Segalerva. Madrid : [s.n.], 1914 (Tip. de Prudencio P. de Velasco)

Não se pede à glabra criatura que tenha biblioteca, nem que saiba ler.Pede-se um pouco de humildade. Interdite-se a criatura de passar cheques carecas. Coloquem-no, por exemplo, como portageiro em Vila Real de Stº António ou em Elvas. Primeira tarefa: destrinçar o castelhano do português. Segunda tarefa: permitir ao aprendiz compreender o motivo da existência de matrículas identificadoras de automóveis pertencentes a habitantes de um e outro lado da raia. Terceira tarefa: levá-lo a compreender as festividades tradicionais, introduzindo-o na Feria de San Fermin, em Pamplona.

04 maio 2006

Obrigado, Cristina

Não tenho caixa de mensagens. Para uns, é snobismo; para outros, uma pena, pois não podem criticar, demolir ou contrariar os meus caprichos. É o meu espaço de autocracia, como lembrou um dia um colega cujas opiniões são aqui religiosamente lidas. Brinco. O facto de não abrir o blogue à contestação prende-se com a total falta de tempo. Talvez, lá para as férias, o possa fazer. Por agora, gostaria de responder, penhorado, a Cristina Ribeiro. Mil obrigados pelas suas palavras. Ficam no livro de prata - aqui não há ouro ! - do meu blogue.
Miguel

03 maio 2006

Nacionalismo e monarquia


Tenho - devo-o dizer - uma grande admiração pessoal pelo Dr. António Cruz Rodrigues. A sociedade portuguesa muito lhe deve na conquista desse bem precioso que é a liberdade de ensino: o direito de ensinar e aprender, trave mestra da criação de cidadãos responsáveis, autónomos e livres. Devo-lhe, pessoalmente, mil e uma atenções, desproporcionais às minhas humildes capacidades. Registo ainda, com grande emoção, a disponibilidade com que me franqueou as portas da sua editora para, sem condições e censuras, publicar a minha tese de mestrado sobre Homem Cristo Filho.
Publica hoje, no blogue que superiormente anima, um texto do qual me atrevo discordar. Embora não me considere "nacionalista" - termo usado e abusado ao ponto de perder qualquer sentido operativo - sou, como o Dr. Cruz Rodrigues, um patriota: amo a minha pátria, cultivo a memória deste pequeno povo capaz de façanhas de gigante, emociono-me com as marcas deixadas pelas quatro partidas do mundo. Apolítico, mas não despolitizado, só sei servir o Estado. Obrigado pelo respeito que as leis e instituições impõem, aceito as directrizes do regime e do sistema, sem me colocar, contudo, ao serviço de homens, de partidos, associações secretas e discretas e demais lóbis. Porém, não me convenço da bondade da preservação da República, por a considerar falha de legitimidade democrática - imposta a tiro - e constituir um agente de clivagem e confrontação entre portugueses. Por ser patriota na acepção que acima lembrei, sou, necessariamente, adepto da restauração monárquica, conquanto reinstaurada e sufragada pelos Portugueses. A monarquia não é um adereço. A monarquia traspõe o contingente dos regimes, dos partidos e dos homens. É uma instituição não-democrática, é certo, mas garantia da liberdade de todos, e até auxiliar precioso para as democracias representativas. Não tivesse o Professor Salazar insistido na preservação do incongruente balanceamento que só a sua figura permitia; não tivesse o Professor Caetano dinamitado a restauração em 1956, e estou certo que os atropelos, as feridas e o desastre de 74/75 não teriam ocorrido. Por outro lado, o sentimento do que é nosso, caminha mais amparado existindo a instituição real. O rei, qualquer rei, é um patriota. O mesmo não podemos afiançar dos senhores presidentes (fardados e desfardados) que têm passado por Belém. Acresce que o rei é árbitro supremo, comandante supremo das Forças Armadas; logo, invulnerável a manipulações, cedências e fraquezas. Com monarquia não há PREC's, nem barões de transnacionais, nem evacuação da soberania, nem regime corrupto que se possa impor sem destruir a coroa. E como a coroa é o povo, como o rei é o primeiro (príncipe), a unidade do Estado, o amor da Pátria e a permanência da Nação sobrevivem a todas as provações. É por isso que sou monárquico. Monárquico e patriota.

Demita-se, já, a glabra figurinha


Há limites para a paciência. Há um limiar para a tolerância. Um ministro não pode, sob pretexto algum, violar publicamente o respeito devido ao Estado que serve, à lei que o subordina e à nação que diz representar. Se é "iberista" - i.e., se advoga o fim da independência nacional - deve, de imediato, pedir a demissão. Se o não fizer, deve ser demitido por justa causa. Aqui está uma matéria em que o Presidente da república e o Primeiro-Ministro devem terçar armas em comum. A liberdade política inscreve o direito à opinião e ao confronto das ideias, mas não pode transigir com um atentado ao princípio do qual decorre: a independência nacional (o somos independentes/ somos livres), que torna possível a cidadania. Quem voluntariamente trai a cidadania, colocando-se fora da sociedade, não tem qualquer direito político nem pode exercer funções no Estado.

02 maio 2006

O deus de Epicuro e de Lucrécio


Eventualmente o deus verdadeiro, aquele que menos se revela. Um deus demasiado ocupado com milhões de galáxias e biliões de sistemas solares para ter tempo de se abeirar desta microscópica bolha de lama. Um arquiecto ou um relojoeiro cansado, ou quiçá, mais dedicado a outras obras com melhor acabamento. Distante, gélido, indiferente, nem o Deus do deserto esperando a decifração de um anacoreta, nem o deus búdico exigindo a transposição das grilhetas da matéria, nem abstracto nem pleno. Nós, por cá, vamos interpretando os seus desígnios, dando forma às suas exações, aos caprichos e fúrias daqueles que se julgam seus mediadores, inventando-o, reinventando-o, eclipsando-o mas modas e modos antropo-lógicos.
A propósito, recomenda-se vivamente Improvisações sobre a Ideia de Deus, de António Bracinha Vieira, um brilhante ensaio sobre as fontes e expressões da(s) religião(ões). Dá prazer e aquieta-me saber que ainda há cérebros portugueses.
António Bracinha Vieira. Improvisações sobre a Ideia de Deus, Lisboa: & etc, 2005, 139 pp.

Os colonialistas: a tribo branca da África Oriental (7)

Do Minho à savana
O meu avô paterno (1904-1975) nasceu na Barca de Alva, pequena aldeia terminus da linha dos Caminhos de Ferro que ia do Porto até à fronteira espanhola, uma estação ferroviária que ainda existe com belíssimos azulejos em azul e branco e que, anos atrás, estava abandonada. Por parte da mãe (Madeira Clemente ou Clemente Madeira), eram pequenos proprietários com olivais, árvores de fruto, pinhais e prédios (hospedaria, lagar, forno de pão casario popular) e lembro com curiosidade que possuíam algumas oliveiras (como é vulgar em zonas de minifúndio) dentro da propriedade do Guerra Junqueiro - depois dos Sarmento Rodrigues e hoje de um inglês - a que se tinha acesso para a apanha da azeitona. Gente baixa, entroncada, aparentada com outras famílias de Vila Nova de Foz Côa, Escalhão, Almendra e Figueira de Castelo Rodrigo: os Bordalo, os Nabuco e outras de que esqueci o apelido, tanto mais que tal como em outras zonas populares as famílias eram conhecidas pelas alcunhas. Sempre me pareceu que por ali havia sangue judaico, até porque eram pouco crentes e dados ao negócio. Do Avô e das suas 4 irmãs que chegaram a adultos só a mais nova é que era praticante, para não dizer beata. A sua família paterna não era da zona, tendo chegado à Barca de Alva- não sei de onde - nos trabalhos da linha férrea: gente alta e loura, seca, magra, trabalharam nos C.F. O Pai do avô. - ouvi dizer - foi cabo eleitoral do Afonso Costa, não sei se na Barca de Alva, se em Valença do Minho, onde se fixou depois da morte da mulher e por transferência da C. P. Depois da morte da Mãe, o Avô Alfredo, ainda criança, foi enviado para LMarques onde o tio materno José Clemente fez fortuna com diversos negócios: restaurante na Consiglieri Pedroso, armazéns para venda a grosso e prédios na Av. Manuel de Arriaga, mais conhecida por Av. Central. O tio pô-lo logo, a trabalhar, colocando-o em cima de um estrado, por forma a chegar à altura da máquina registadora. Isto passava-se em 1916. Viveu, então, em casa dos Clementes e foi crescendo, avesso a grandes estudos mas amigo das pândegas da boémia laurentina: cerveja e whiskys nos quiosques da pequena cidade colonial, nos bares e nos casinos que enxameavam de mulheres (taxi-girls) vindas de toda a Europa e da África do Sul para alegrar as noites da grande cidade portuária - escoador do minério do Transvaal - e que muitas casaram em famílias que depois tiveram nomeada. Fazia parte de um grupo da estúrdia local (de que sei algumas histórias bem engraçadas): os irmãos Rodrigues, donos de cinemas ("T. Gil Vicente", depois, também do "T. Manuel Rodrigues"); o Américo Galamba que foi mais tarde um empreendedor e próspero negociante; o Monteiro, chamado "Monteirinho", dono da mais elegante e requintada casa de objectos de decoração da cidade; Vladimiro Cardiga - filho de um capitalista de renome - que deu o nome ao meu pai. Era homem de estatura média, pés pequenos, olhos cor de mel, magro e vestia com a elegância tropical: fatos claros, chapéu de asas desabadas, etc. Com a idade, aquietou-se, engordou e contentava-se com uma vida calma. Tinha grandes irritações com o meu pai - até destemperos -, em especial porque este era mau estudante; só lhe apetecia ler... e ler o que lhe apetecia. Não percebia bem o seu interesse pela ficção e pela História. Seguindo a tradição do avô paterno e do pai, entrou para os Caminhos de Ferro, sector que estava em expansão - tal como na Europa e Américas -, o que significava emprego e salário garantidos. Foi, por diversas vezes, membro da direcção do Clube Ferroviário de Moçambique, aliás, o seu clube de estimação.
Não tinha a menor vocação comercial e sempre que o intentou, deu com os burrinhos na água. O seu maior sonho era ver um dos filhos formado em Engenharia, provavelmente porque toda a vida foi "mandado" por engenheiros. O filho mais novo formou-se em Engenharia. Era da época em que uma das formas de promoção social e de garantia de estabilidade económica se garantia com um curso superior, em especial Direito, Medicina e Engenharia.
Guardou vários hábitos citadinos da Metrópole: comprava diariamente o jornal, lia revistas (Século Ilustrado, Cruzeiro - grande magazine brasileiro de Assis Chateaubriand -, a Eva e Modas e Bordados para a Avó, o Mosquito para os filhos); assistia às representações teatrais das companhias que no verão lisboeta iam à procura das patacas africanas; assistia à apresentação das grandes vedetas internacionais, mas não era entusiasta de concertos musicais. Faziam, anualmente, dois períodos de férias: no chamado Inverno, não saíam de L.M.; no Verão, ou faziam praia no Oásis, uma praia no caminho da Costa do Sol, ou iam à África do Sul (Machadodorp, em homenagem ao General Joaquim José Machado), Johannesburgo, Durban e Bloomfonteen, a capital do Orange Free State, a zona mais boer da União. Tinha a obra completa do Guerra Junqueiro, o "homem" da Barca de Alva, onde construíra a tal propriedade acima citada, porventura utilizando meios pouco ortodoxos. Não era dado a grandes leituras; gostava de uma vida calma, uma boa mesa, não gostava de ser contrariado. Penso que a sua grande ambição - se é que tinha alguma, para além de ver um filho formado em Engenharia e de ter casa própria, era fazer uma vida de pequeno burguês e voltar um dia a Portugal para viver em Lisboa.

01 maio 2006

A terceira Guerra do Ultramar


Três vítimas mortais por dia: esmagadas, atropeladas, trucidadas em 25 anos de carnificina. Um silêncio cúmplice, um moralismo hipócrita, recoberto pelo lucro dos concessionários da venda de automóveis, mais os gasolineiros, as seguradoras e as empresas majestáticas que exploram a quadrícula das estradas que esventrou a paisagem e ajudou à invasão económica espanhola. As 30.000 vítimas mortais e os 90.000 mutilados correspondem aos acidentes da Carreira da Índia, a toda a História Trágico-Marítima. Ninguém ousa contrariar o fluxo imparável. A cada português um carro: por outras palavras, para cada português um caixão de lata.

30 abril 2006

A Segunda Guerra do Ultramar


De 1985 a 2005 terão morrido, devido a doenças associadas com o consumo de estupefacientes, cerca de 20.000 portugueses, na sua maioria jovens. Uma sangria invisível, que dizimou uma geração. Ou seja, a soma das perdas portuguesas na 1ª Guerra Mundial e nas Campanhas do Ultramar. Se já se escreveram tantos tratados sobre essas duas contendas, porque razão se esconde este Alcácer Quibir silencioso ?