15 abril 2006

André Azevedo Alves


As Edições Praedicare e o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa convidam para a sessão de apresentação do livro de André Azevedo Alves Ordem, Liberdade e Estado: uma reflexão crítica sobre a filosofia política em Hayek e Buchanan, a ter lugar na Sala D. Henrique o Navegador, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa (Palma de Cima), no próximo dia 18 de Abril, às 18.00 horas, com apresentação de Rui Ramos.

14 abril 2006

CCB

É com alguma frequência que ouvimos remoques a respeito do Centro Cultural de Belém. Diz-se obra terrível, funesta para a "sala de visitas do país"; em suma, um mamarracho. Este ponto de vista é assinado por um dos mais lúcidos [teclados] : o nosso quase sempre infalível Jansenista. Decerto que Jansenista não estriba os seus argumentos no reaccionarismo característico dos eternos retardatários. Na percepção da mudança, os homens dividem-se em três grupos: aqueles que pressentem a mudança, aderindo-lhe contra o gosto do seu tempo (os vanguardistas); aqueles que a vivem sem sobressaltos (os modistas) e aqueles que só as vivem depois do tempo (os retardatários). De fora, sempre, os eternos nostálgicos de um passado pintado a ouro. O CCB incomoda porque é incómodo. Típico por típico, impunha-se regressar aos anos 30, demovendo a estética anos 40 implantada no areal que dava a graça do abandono ao local. E porque razão retiraram as antenas TSF à Torre de Belém ? Deixem, for favor, o Museu de Arte Popular, com aquela traça distinta de Café dos Pretos da Feira Popular, mais o prolongamento dos Jerónimos (Museu de Arquelogia e Museu de Marinha), inventadinhos em 1880. Brinco. O CCB só peca pelos acabamentos: estuque, madeiras pobres e tectos que escondem as misérias do improviso. Mas fica bem onde está pois, a não existir, talvez o local fosse arroteado por um desses empreiteiros de regime. Já agora, mutatis mutandis, acabei por gostar das Amoreiras. A cidade não é uma tese. As pessoas não vivem em teses. O CCB conquistou os lisboetas, coisa que a Praça do Comércio nunca conseguiu realizar. O belo e o medonho são convenções datadas. Para uma obra de arte é preciso saber olhar; para um edifício é preciso saber se serve ou não o propósito que o instaurou. A obra de arte arquitectónica só se revela à distância, quando a utilidade/funcionalidade perde primazia. Prova ? O Convento de Mafra nunca serviu o propósito da edificação nem deveio em obra de arte. Quanto ao CCB, tem servido, e bem. Ainda há semanas lá fui assistir a uma grande representação e comparei a grandeza do auditório a outros espaços similares existentes em Lisboa. Senti-me bem: tem grandeza, solenidade e décor.

12 abril 2006

Os Colonialistas: a tribo branca da África Oriental (4)




A britânica
A minha avó paterna (1916). Nunca foi uma portuguesa que se pudesse encontrar na Metrópole. Nem a sua graça evoca a tradição das Marias e das Anas, nem o seu semblante nórdico acusa a merionalidade das origens mediterrânicas. O nome recebeu-o de um pai incréu, numa atmosfera política nacional difícil e num quadro internacional onde o inimigo da altura (o Reich de Guilherme II) não era apercebido como o perigo maior, mas em que a Albion merecia, desde 1890 - passando pela guerra anglo-bóer - todas as reservas e receios dos portugueses, então em luta de justificação da soberania periclitante exercida sobre os farrapos do Mapa Cor-de-Rosa. Irlanda nasceu em plena Grande Guerra, mas lembra o levantamento nacional irlandês contra o jugo britânico. Cresceu no desafogo de um lar tolerante e confortável. Jogou ténis, aprendeu piano e pintura, prendas que faziam o enxoval das meninas burguesas. Estudou na África do Sul, num colégio de freiras irlandesas, onde adquiriu proficiência na língua inglesa. Outra dissemelhança: num Portugal colonizado pela cultura francesa, Irlanda foi sempre, até nos hábitos, uma britânica: o chá, os bolos de passas e limão que ainda confecciona como ninguém, o traje, os gostos musicais, todos britânicos. Viveu quase sempre em Lourenço Marques e veio à Europa por duas vezes: em 1942, em plena Guerra Mundial, para visitar a família do marido, e em 1974, pouco antes da Revolução, para tratar de negócios. A visita de 1942 deixou-a algo dubitativa, pois em Valença do Minho a recepção não terá sido tão calorosa como previra. Imagine-se as críticas e os sussurros que uma mulher assim teria provocado num meio onde o trajar pouco diferiria do Stromboli de Rossellini. Após a aposentação do meu avô, comprou uma bela casa a 70 km de Lourenço Marques, na vila da Namaacha, cercada pelos montes Libombos e a poucas dezenas de metros da fronteira da Suazilândia. Recordo que, ainda miúdo, ia com os avós a esse reino negro encravado na África do Sul e espantava-me que fossem os negros a governar. Até tinham um rei, Sobhuza, o Grande Elefante. Depois, veio a revolução. Não se refugiou imediatamente em Portugal, pois o meu avô debatia-se com grave doença mortal que o impedia de viajar. Assistiu ao levantamento anti-Frelimo do 7 de Setembro de 74, aos desmandos das Forças Armadas Portuguesas, que então assumiram uma postura claramente anti-portugueses e, por fim, veio juntar-se-nos. Vive hoje, com 89 anos, lúcida, independente e ocupada.

Viver 150 anos


A medicina anda atrás da biologia. Tanto investimento em geriatria, tanta hormona de macaco, leite de rena, botox, implantes de silicone e colagéneo para nada. Afinal, há entre nós centos, milhares, de Matusaléns que pensam que Marx, Adam Smith, Lenine, Mussolini, Salazar, Mao e Hitler estão vivos ! São avós, bisavós, tetravós de si mesmos, lendo e relendo obras que enchem o vasto cemitério das ideias decompostas, calcificadas e petrificadas de outras eras geológicas da história das ideias. São estas ideias contemporâneas da máquina a vapor, do quinino, das máquinas de costura a pedais, das calças com suspensórios, das lâmpadas de querosene, do evolucionismo darwiniano e do positivismo à Comte. Construir o futuro com ideias velhas, barricar a inteligência, recusar o presente, eis a verdadeira decadência. Na ordem universal, a única ideia sempre jovem é a de humanidade; na ordem social, a de nação e liberdade; na ordem individual, a ideia de felicidade. Tudo o mais são velharias.

Show de Adelino Maltez no Teatro do Ginásio


José Adelino Maltez deu ontem uma magnífica aula de subversão e pensar aberto perante um vasto auditório que se lhe rendeu entre aplausos e uma concentração que não via há muito. É verdadeiramente insólito, merecendo assinalar, que um conferencista consiga encher uma sala numa terça-feira ao fim da tarde. Os habituais libertadeiros da comunicação social hemiplégica e assalariada marcaram pela ausência, demonstrando uma vez mais que a verdade, a liberdade de espírito e a arte de comunicar sem florentinismos continuam banidas da atmosfera portuguesa. Desmontando um a um os sofismas que condenam os portugueses e o Estado a viver de costas voltadas, lembrando ser a soberania popular um facto histórico determinante da preservação da consciência nacional desde o século XIV, Maltez desferiu golpes certeiros naqueles que, desde o século XVI, foram alienando a unidade dos homens livres em favor de abstracções, de interesses comezinhos, compadrios e modas ideológicas. Afirmando-se um "miguelista liberal", lembrou que Portugal teve a primeira Constituição europeia, que o príncipe foi, até ao advento do Estado Moderno, o mantenedor da respublica e que Portugal poderá regressar às suas origens de comunidade livre quando se libertar do flagelo da partidocracia, das maçonarias, das seitas religiosas "secretas e discretas" e da xenofilia. Não concordando, aqui e ali, com algumas opiniões do brilhante catedrático, não posso deixar de reafirmar a grande estima e admiração pela coragem cívica, pela frontalidade e grande preparação de que, uma vez mais, deu provas.

11 abril 2006

Misantropo Enjaulado acabou


Com o encerramento do blogue de Paulo Cunha Porto, fica mais pobre a já pequena República das Letras na blogosfera. Não posso deixar de lamentar a partida de alguém com a cultura, a sensibilidade, a probidade e simpatia deste amigo. Quaisquer que tenham sido os motivos, desejo-lhe as maiores felicidades. Aqui fica uma vaga esperança no regresso. Ó Paulo, não terá chegado o momento de escrever um romance ? Serei o primeiro para o autógrafo.

O montador do esquentador


Ganhou a criatura com a cara chapada do sr. Amílcar, que lá pelo bairro instala os esquentadores. Zero como orador, venceu contudo pela expressiva margem de 0,1%, liderando uma coligação abstrusa que reune ligas abortistas, livre-consumistas, ex-terroristas arrependidos (não sabemos se arrependidos por haverem sido terroristas, se arrependidos por terem deixado de o ser), díscolos de montras da Mac Donalds, trostquistas, estalinistas, ex-comunistas, socialistas, liberais e "católicos", essa praga beatífica que não pode faltar em países onde uma sotaina ainda compra bem-aventuranças . Como manda a psicologia italiana, dentro de meses estarão todos de relações cortadas, eriçados em polémicas sobre se a estrela da bandeira italiana deve ser debroada a ouro, se aberta ou fechada, se os linguini, tortelonis, fuzilli e gnochis devem ter mais ou menos sal ou se os tiramisu devem ter uma ou duas riscas de chocolate de recheio. Aquele maravilhoso país é o paraíso dos phoney balooney . O arquétipo do italiano médio é o Totó, pelo que nada do que ali acontece pesa na política europeia. Os italianos - ah, como lhes acho graça - se não escorregam à entrada, escorregam à saída.

10 abril 2006

E se mais mar houvesse


Em maré de evocações familares, não posso deixar de recomendar uma visita à Exposição patente até 11 de Junho no Centro Português de Fotografia (Cadeia da Relação do Porto). A colecção de velhas fotos da África colonial, pertencente à minha irmã Ângela Camila, é um repositório valiosíssimo de documentos que medeiam entre os anos 60 do século XIX e o fim da era colonial. Transcrevo o texto introdutório ao roteiro da exposição.
Afectos e circunstâncias na Cadeia da Relação do Porto

E se mais mar houvesse!” Fotografias e fotógrafos da África portuguesa, na Cadeia da Relação do Porto, é a oportunidade de apresentarmos parte da nossa colecção de fotografias das ex-colónias portuguesas, sendo ocasião única para manifestarmos a nossa paixão e admiração por aquilo que nos mostram e também pelo que testemunham enquanto manifestação da acção de um povo no mundo.
Foi afectuosamente que aceitámos o convite do CPF para este espaço. Aqui, na Cadeia da Relação do Porto, estiveram presos em 1862, acusados de adultério, Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, de quem sou descendente. Aqui também esteve preso, anos antes, por volta de 1856, acusado de passador e fabricador de dinheiro falso o maquinista e relojoeiro Abílio Simões da Cunha Moraes; Cunha Moraes voltaria a este cárcere em 1863 donde partiria para 15 anos de degredo em Angola, onde se lhe juntaria a família. Em 1868, Abílio da Cunha Moraes, então com 43 anos, inaugura a sua primeira casa de fotografia - Loanda – Photographia de Abílio S. C. Moraes tornando-se após a sua morte em 1876, - Loanda - Photographia de Viúva Moraes e Filhos e depois - Photographia J. A. da Cunha Moraes. José Augusto da Cunha Moraes era um dos seis filhos de Abílio da Cunha Moraes e viria a tornar-se o mais empolgante fotógrafo da África Ocidental Portuguesa. Aquando da sua vinda definitiva para a Metrópole, inicia colaboração com a famosa casa fotográfica do Porto Emílio Biel e C.ª..
Em 1873, António José Pereira Coutinho, o Morgado de Pereira, veio a Lisboa trazer o espólio do seu amigo Vieira de Castro - José Cardoso Vieira de Castro (1838-1872) -, que acabava de falecer em Luanda onde estava em degredo. Vieira de Castro é o protagonista do Condenado, drama de Camilo. O Morgado de Pereira era amigo de casa de Ana Plácido e Camilo, em S. Miguel de Ceide. Desconheço as razões que levaram o filho adulterino de Camilo e Ana Plácido a acompanhar o Morgado de Pereira no seu regresso a Luanda. Certo é que Manuel Augusto Pinheiro Alves (1858-1977) – Manuel Plácido como era conhecido, contava 16 anos quando se hospedou em casa dos Pereira Coutinho em Luanda e por lá ficou até regressar à Metrópole em 1875, onde acabaria por morrer 2 anos depois, com apenas 19 anos de idade. Terá sido porventura retratado por Abílio da Cunha Morais ou por um dos seus filhos aquando da sua estadia em Luanda? Não sabemos.
E porque de afectos e de circunstâncias escrevo, diga-se que não ficamos por aqui. Vamos até Mocímboa da Praia, circunscrição no extremo norte de Moçambique, onde Camilo Castelo Branco Vilaça, um dos bisnetos de Camilo e Ana Plácido, se estabeleceu com a casa Foto Vilaça num reduto de fim do mundo que contava em 1960 com cerca de 52 mil almas, das quais nem 500 eram europeias.
A Foto Beleza do Porto, cujo espólio foi recentemente adquirido pelo empresário portuense Mário Ferreira, tinha uma representante em Gaza, Moçambique, mais propriamente na vila de João Belo, a casa Invicta com os seus envelopes que reproduziam a ponte D. Luís I, qual objecto estranho a circular na mais remota colónia portuguesa em África.
E podia continuar até um nunca mais acabar de afectos e circunstâncias na fotografia colonial portuguesa em África, mas a exposição está à sua espera.


Ângela Camila

Pedro Santana Lopes: o difamado

Não sei se o tema vem a propósito ou despropósito. Soa até, fazendo praxe à quadra, a missa evocativa de finados. Ontem, trocando banalidades de circunstância com um amigo que há muito milita lá para os lados da Buenos Aires, falámos de Santana Lopes. Lopes, o fracassado; Lopes, o fura-vidas; Lopes, o aventureiro; Lopes, o "trapalhão"; Lopes e as "santanetes". Ora, ao invés destes demarcadores convencionados pelas ilustres, brilhantes e probas cabeças debitativas, persisto em defender - com a moderação e distância de um indiferente - as qualidades de um homem que fez obra e não deixa ninguém indiferente. Como Secretário de Estado, legou-nos o CCB, a Torre do Tombo, a rede do IPM restaurada, pintadinha de fresco e com adamanes europeus, mais os teatros alindados, mais o Inventário dos Bens Patrimoniais Móveis. Como presidente da CM da Figueira, deixou por lá saudades e dedicações apenas comparáveis às de um rás agípcio ou de uma potestade italiana dos tempos do vinténio. Aquela gente idolatra-o e dele fala sem cessar, como se de um vidente se tratasse. Sabemos como acabou, mas raramente nos interrogamos sobre o vil entendimento de forças respeitáveis que se acotovelaram para o apunhalamento do "homem das discotecas". Quando se trata de manter o status quo, tocam sinos a rebate e unem-se donzelas e donzéis: das catolicices da decência cinzenta aos aventais, dos Crassus do dinheiro à fulanagem que vive da política há décadas, dos animadores dos serões dominicais televisivos aos medíocres que enxameiam as colunas dos jornais. Santana era livre e aí residia a sua fraqueza. Agora estamos bem: o partido da Buenos Aires encontrou uma liderança de grande elevação, o sermonista televisivo já não zurze intrigas à hora do jantar de domingo, o ministério funciona, a banca prospera, os aventais estão bem engomadinhos, as missas enchem-se. Vivemos na Idade de Ouro.

Os Colonialistas: a tribo branca da África Oriental (3)

O inventor da cidade
O meu bisavô paterno (1886-1975). Professor da Escola do Exército, onde leccionava balística aos artilheiros, estabeleceu-se em Moçambique poucos meses após a implantação da República. Homem indiferente a questões religiosas, como mandava o seu republicanismo moderado, pediu afastamento das fileiras do Exército e foi nomeado agrimensor da Câmara Municipal de Lourenço Marques, devendo-se-lhe o traçado ortogonal "inglês" da capital da África Oriental Portuguesa: vastas avenidas cruzadas por ruas largas e arejadas, emolduradas por acácias e jacarandás, pavimentos macadamizados e alcatroados, ampla zona portuária, tirando partido do segundo maior porto natural do mundo (Delagoa Bay), casario alinhado, imponente zona comercial que nos anos 30 já conhecia grandes superfícies comerciais onde as escadas rolantes eram coisa banal. Uma cabeça cartesiana na África por moldar. Lembro-me ainda do imponente casarão de três andares que construíu e viveu na companhia da mulher - a minha bisavó Argentina, filha de armador algarvio de ascendência marroquina - e de numerosa prole de sete filhos. Num tempo de sonhos de fraternidade universal, do Esperanto e do positivismo, deu às primeiras filhas nomes bem pouco católicos: Bolívia, Argentina, Leontina e Irlanda, esta em homenagem ao levantamento anti-britânico de Dublin, em 1916. O desembaraço e competência profissional de que deu provas, com inúmeras distinções oficiais a atestá-lo, permitiu-lhe dar aos filhos esmerada educação: aulas de piano e violino, pintura e estudos em colégios sul-africanos. Lembro que na ampla sala de estar do casarão, uma imponente biblioteca atestava os seus gostos literários: geografia física, geometria, Camilo e Eça. Para o distinguir do avô paterno, o vovô, chamavamos-lhe apenas vovôzinho. Nunca regressou a Portugal. Morreu em 1975, pouco após a independência de Moçambique.

09 abril 2006

Uma grandiosa...falta de nível

Tenho seguido sem grande atenção as peripécias da campanha eleitoral italiana. Não fosse o colorido, o bombástico e o ridículo - ai os italianos, não se conseguem libertar da pantomima e da ópera bufa ! - e dir-se-ia uma recriação das comédias de "telefone branco" dos anos 30. O tom caricatural dos discursos, o minimum minimorum de ideias para um maximum maximorum de insultos desbragados parece convidar a uma abstenção representativa da má qualidade do espectáculo. Sei que me engano redondamente. Na era dos futebóis, da iliteracia e da demissão da inteligência - aquele tempo de esvaziamento que Alexis de Tocqueville profeticamente anteviu - o eleitorado já não percebe outra fórmula. Não há gladiadores, corridas de carros, exibição de monstros, mas há pão, vinho, músicos e animadores para atrair multidões esvaziadas de consciência cívica e privadas de senso crítico. Da Mussolini, que mais se parece com um poster de oficina de bate-chapas, ao Prodi (caramba, como parece um cura de aldeia) e a Berlusconi, o mais verdadeiro dos cómicos em palco, tudo aquilo é uma degradação da cidadania. Sei que as democracias latinas - vide a França, vide Zapatero - se encontram em quarto minguante e poucas dúvidas sobram a respeito da manutenção de um tipo de regime representativo que consiga sobreviver com partidos e elites tão medíocres como aqueles que teimosamente persistem em monopolizar a vida política. Que bons tempos os do velho liberalismo oitocentista. Nesse, ao menos, os homens públicos ainda tinham bibliotecas.