03 março 2006

Incomunicabilidade

한자
王建煊

おとど

当用漢字
旧字体


秦朝;

O Mar da Fertilidade



Transmutação de todos os valores ou o único nietzscheano consequente

A boa esquerda e a péssima direita

Não tenho por hábito - não fazendo parte de nenhum "lóbi"- separar as pessoas por critérios de catalogação pronto-a-usar. Como disse um dia Adriano Moreira, em Portugal há dois tipos de pessoas: as que fazem e as que colocam rótulos. Para uns, basta dizer que fulano é "laico, republicano e socialista" para lhe encontrar um lugarejo numa fundação, num instituto, numa universidade ou num dos parlamentos em que encontram poiso desocupados de longa duração. Para outros, a simples menção do "catolicismo e do patriotismo" de beltrano constituiu salvo-conduto para o usufruto de privilégios em bancos, direcções-gerais e administrações de empresas de capital misto. É-me indiferente a natureza dos afectos, das estéticas, cumplicidades e protecções para exarar juízo sobre as qualidades e defeitos das pessoas, pelo que não posso deixar de tecer breve comentário a respeito de um tabú que estimo revelador do facciosismo chão que devora a sociedade portuguesa. Por ser de direita - i.e, elitista, pessimista, monárquico - interdita-se-me o direito de fazer comentários abonatórios a respeito de homens que se reivindicam de esquerda ? O que tenho verificado ao longo dos últimos anos - e pelas "peças" que tenho tido a desdita de conhecer - posso afirmar sem remorso e vacilação que as pessoas mais interessantes que me tem sido dado conhecer se encontram no campo adverso. Excepção feita a quatro ou cinco nomes grandes situados no meu campo ideológico e afectivo - António Manuel Couto Viana, Augusto Mascarenhas Barreto, Veríssimo Serrão, Rafael Gomes Filipe e Vasconcellos de Saldanha - lembro José Augusto França, Medina Carreira, António Barreto, Paulo Varela Gomes e José Esteves Pereira. Vem isto a propósito de uma entrevista ontem dada por Medina Carreira a um dos canais da televisão. O homem só diz verdades incómodas, é de uma coragem e de uma frontalidade contundentes, daquela honestidade que desarma quaisquer preconceitos de que somos reféns involuntários no julgamento precipitado das pessoas.
Por oposição, a generalidade dos "nossos" não resiste a 5 minutos de escrutínio dialogado: prosaicos, desérticos, generalistas, enfatuados e enfadonhos, santinhos de pau carunchoso tresandando a naftalina de sacristia e a Catões de hipócrita predicação. Como dizia Dino Segre (aliás, Pitigrilli), sempre que estiveres perante um fulano que por cada frase proferida intercala a invocação do santíssimo e da moral, lança a mão à carteira para te certificares que esta ali ainda se mantém.
A propósito, lembro com agrado a nobreza de um relapso comunista - Baptista Bastos - em relação a um saudoso amigo há muito falecido. António Maria Zorro, que fora dos mais destacados jornalistas ao serviço do Estado Novo - protector de tantas carreiras, incansável a servir os seus ideiais - caíu um dia profundamente doente. Pobre, numa solidão de partir o coração, só o teve a assistir nos anos que precederam o desenlace fatal o comunista Baptista Bastos, amigo devotado e leal. Os outros - que ele tanto ajudou, a quem pagou tantas jantaradas, que tantas laudas lhe deviam - nunca lhe estenderam a mão ou abeiram-se do seu leito de moribundo. Abandonaram-no. É a péssima direita !

02 março 2006

Menos uma mentira em que acreditar

Que pena não conseguir uma mentira, por mais bela que se apresente, resistir ao peso da verdade prosaica, crua e devastadora. Anna Leonowens, a célebre professora dos filhos de Rama IV, não era bela, nem jovem, nem a dama impoluta que Deborah Kerr e Jodie Foster protagonizaram em The King and I e Anna and the King. O rei Mongkut também nada tinha de Yul Brynner ou Yun-Fat Chow. Era um ancião sábio, ex-monge e um intelectual bem pouco preparado para valsas e vestidos de cauda. Fecho o "auto-biográfico" The English Governess at the Siamese Court e digo, sem cortesia e respeito: grande mentirosa !

Eu

Eu, de Nuno Castelo-Branco; óleo sobre tela150 x 90 cm
( Colecção Particular
)

Turbamulta

Um presidente que só desperta das funções vegetativas quando se lhe fala em futebol; um povo que fala, ri, cochicha enquanto um quarteto de cordas executa Haydn... dêem-lhes o Quim Barreiros; que lamenta o chá que lhe dão em vez do tinto carrascão; que prefere uma pitada à Parque Mayer a um poema; em suma, um povo que prefere um Sampaio a um Rei é este, o bom povo português. Compreendo, finalmente, a razão que nos levou a escolher a República e entendo, finalmente, por que razão o mais sólido dos povos latinos - os Espanhóis - a quiseram manter. Esta terra é um portento. Hoje estou inconsolável.

01 março 2006

Prathet Thai



Phrabat Somdej Phra Paraminthara Maha Bhumibol Adulyadej (Rama IX)

( clicar para ouvir )

Antes da hecatombe do Rock: Beniamino Gigli

Beniamino Gigli
(Recanati 1890 - Roma 1957)

Há muito, muito tempo, antes do regresso à Idade da Pedra, quando eram ainda perceptíveis as vozes dos deuses.

Lenda negra

Savonarola é perseguido pela lenda negra do integrismo, da devoção purificadora, do controlo e policiamento dos espíritos e das condutas, mas houve - e há - figuras bem mais intolerantes e nocivas que o frade dominicano que quis fazer de Florença uma cidade austera e da Igreja uma organização respeitável.
Os furiosos da liberdade são habitualmente bem mais incisivos e violentos que o predicador que queimou livros e arminhos na fogueira das vaidades na Piazza della Signoria, mas, que se saiba, não tocou num cabelo que fosse de nenhum dos seus perseguidos. Anda por aí muita criatura que em nome da santa liberdade censura, apreende, manda guilhotinar, queimar e proscrever obras consideradas ofensivas da "Verdade". Ontem como hoje, a criatividade e o labor intelectual são tidos por incómodos. Isto aplica-se a tudo. Num país com meio milénio de inquisições, maçonarias, servidões e silêncios, importa que os espíritos se libertem antes de pedirem mais falsa liberdade.

Portugal na Ásia, nas Portas do Cerco

A não perder !

27 fevereiro 2006

Relatório semestral e...obrigado por tudo

Devo aos meus caros leitores um elementar gesto de cortesia: o de informar, seis meses volvidos sobre o arranque desta coluna diária, que as coisas estão a melhorar. Agradecido por tantas e tamanhas provas de estima, espero continuar a ser merecedor da V. simpatia.

Deutsche Nachtigall

Erna Sack (1897-1972)
J'ai vu passer l'hirondelle, Erna Sack
( clicar para ouvir )


A minha avó ouviu-a em finais de 40 em recital na África do Sul e ficou deslumbrada. Um prodígio da natureza.De Villanelle, de Dell'Acqua.

Curraleiras Leste do "mundo árabe"


Não sei se já repararam na escandalosa similitude de desleixo, feiúra extrema, podridão e ar de Curraleira Leste que a generalidade das cidades árabes exibem. Com excepção de Muscate e Aman, que estimo pelo aprumo britânico que teimam em cultivar, as restantes capitais são um flagrante daquilo que vai naquelas cabeças não-pensantes: um mar de subdesenvolvimento, atraso económico e social, balbúrdia pedindo despotismo e despotismo pedindo terrorismo, carripanas desengonçadas comidas pela ferrugem, miudagem e mais miudagem desocupada, mesquitas tipo-casa-de banho, pavorosos repelentes arquitectónicos que são um insulto às crenças daquela gente, cafés tipo-Costa-da-Caparica, tendinhas, baldios de entulho e gente fardada com ar de salteadores. Caramba, que mundo. A culpa é, obviamente, dos americanos e dos britânicos, das Sete Irmãs e do sionismo. Se calhar também o é da globalização e do "buraco do ozono", do Ninõ e da Ninã !!!!

Feliz Aniversário Insurgente

Para os colegas do Insurgente, um blogue sem pinta de facciosismo mas com muitas certezas, os votos de muitos e bons anos na blogosfera.

26 fevereiro 2006

Enchente de efígies de Juan Carlos

Ocorreu neste fim de semana que se prolonga até terça-feira a invasão espanhola do Carnaval. As máquinas registadoras não pararam de contabilizar, para minha satisfação e dos meus empregados. Os espanhóis estão ricos, mas cada vez mais mais pirosos. É o que dá ter dinheiro e permanecer pequeno-burguês.

Um blogue que promete

Encantado, Mendo Ramires. Fazia falta a graça, a elegância e irreverência de Eça na blogosfera. Este camiliano empedernido dá-lhe as boas-vindas.