16 novembro 2006

Santana Lopes


A vida é assim. Ou se gosta, ou não se gosta das pessoas. Santana Lopes - das figuras mais vilipendiadas, difamadas e perseguidas pelos rumores e pela raiva anónima dos valentões escondidos - acaba de fazer uma prestação notável no pequeno ecrã. Submetidos à bateria da opinião que se faz publicar, aos gracejos sobre as "santanetes", à moralíssima [catolicíssima e maçoníssima] decência que supostamente devem afivelar os "homens de Estado", com os tímpanos já amolecidos pela adjectivação costumeira, carregada de alusões à "idiotia", "aventureirismo", "fura-vidismo", "licenciosidade" e "impreparação" de Pedro Santana Lopes, dou comigo a pensar se não terá sido precisamente o contrário que levou à liquidação pública do homem.


Quando comparado com alguns homúnculos que nem para arrumadores de cinema prestariam, Santana Lopes - pela espontaneidade, fluídez de raciocínio, desembaraço argumentativo e simplicidade de comunicar - faz figura. Mais grave ainda. É das poucas pessoas públicas que fala de si, das suas hesitações, erros e fracassos com a facilidade de quem bebe um copo de água. Sei que os portugueses adoram doutorecos de pernas cambadas e abdómens ciclópicos, de falar pomposo e verbo rebuscado. Sei que aqui campeiam e sempre campearam jarras, jarrões e outros atavios caseiros dourados pelo elogio encomendado. Santana Lopes - que terá mil e um defeitos - tem umas características que me agradam: é educado, é simpático, nunca se lhe ouve uma baixeza e está bem consigo. Talvez o segredo esteja no coração, nas paixões, no gosto pelos divertimentos que a vida oferece a quem não tem medo de ser o que é. Os outros, as raposas velhacas, cheias de ódio e frustração, medíocres pomposos, talvez tenham toda a razão em ser como são. Pudera ! Nunca tiveram "santanetes".

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