13 novembro 2006

O metatexto da história: in Einer Nacht in Mai



Marika Rökk (1913-2004), a estrela da UFA, uma das minhas preferidas, teria sido sem dúvida um dos ídolos do musical mundial se o nazismo não se lhe tivesse atravessado na fulgurante vida de cantora, dançarina e actriz. Filha de mãe egípcia e com ascendência magiar, dir-se-ia não cumprir em nada o cânone ariano exigido pelos senhores da Alemanha. Contudo, o cinema de entretenimento alemão - quanto maiores os desastres militares, maior a necessidade de dispersão do espírito - catapultaram-na para a ribalta. Aqui a temos, plena de alegria, no palco de um Wunschkonzert algures em finais de 1942.In Einer Nacht in Mai (Numa Noite de Maio) empurrava os radio-ouvintes para a ilusão do amor, da paz e da felicidade de tempos passados. Bela e radiosa, Marika fazia esquecer o terror dos bombardeamentos, as cartas de pêsames, o racionamento e o desfecho de uma guerra antecipadamente perdida.

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