13 novembro 2006

A última rainha


Miss Pearls fala-nos hoje de Versalhes e desse mundo maravilhoso de espírito, inteligência, irreverência, charme e liberdade que a Revolução matou. Maria Antonieta foi sempre um empecilho para os franceses. Antes da Revolução, foi invejada pela beleza, jovialidade e encantadora espontaneidade numa sociedade de corte onde os nobres se haviam transformado em ociosos poodles de estimação, perdulários, extravagantes, intriguistas e inúteis. Irmã de um grande monarca (José II, rei-filósofo, reformador do Estado e da Igreja, emancipador da servidão, exemplo de tolerância religiosa), terá tido influência decisiva nas repetidas tentativas do seu marido em abrir o regime aos tempos novos, muito embora a historiografia francesa teime em recusar-lhe tal protagonismo.


Depois da Revolução - os estrangeiros têm sempre a culpa de tudo ! - cobriram-na de insultos, dos mais obscenos e soezes - adulterina, incestuosa - a outros tão improváveis e reprováveis como o de espia, traidora e anti-francesa. A vaga de lama e sangue que se abateu sobre a França e sobre a Europa destruíu o mundo em que Maria Antonieta viveu. A Revolução, mãe de todos os totalitarismos, pariu toda a sorte de monstros e excessos, pelo que a história dos últimos 200 anos tem sido a desse estendal de erros, mentiras, fanatismos e desastes cometidos em nome da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade. Perante o ocaso das ideologias saídas da Revolução, Maria Antonieta retoma o papel de mulher e rainha que a inveja e a loucura quiseram obliterar.

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