02 novembro 2006

Está triste ? Não, estou lúcido


Uma cadupa de mails em tom de surpresa. Está triste ? Não, respondo, estou lúcido. É assim. Para uns, a tristeza dá-lhes para a maldade; para outros, atira-os para a alienação. Comigo, dá-me para a lucidez. Isto não tem remédio, nem à esquerda, nem à direita. É como é, uma tristeza pacóvia. Não continuo, porém, perdoem-me os mais sensíveis, a dizer que tudo está bem encaminhado, que o cinzento passará, a mediocridade será superada. Isto é congénito, genético, insuperável. Foi sempre assim, assim ficará. Que grande partida esta a que a Providência nos preparou: nascer num país que é a cara chapada do Cemitério dos Prazeres.

Ontem foi um dia estupendo. Os portugueses saíram de casa contentíssimos para se sentarem nos cemitérios. Mais uma razão para optimismo. Até me espanta não ter aparecido um ministro para botar discurso sobre a excelência dos jazigos portugueses.

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