15 outubro 2006

"Tempos interessantes"

Para quem acreditava num mundo apaziguado pelos EUA - era esta a prospectiva que a derrocada do comunismo ditava em inícios da década de 90 - o ataque a Nova Iorque revogou todos os cenários de Fim da História, Paz Perpétua e unipolaridade recentrada no Ocidente, nas suas ideias de progresso, desenvolvimento, democracia e direitos individuais. Passei a tarde numa livraria. As estantes estão carregadas de livros de "espiritualidades", romances históricos ou terrificantes títulos que tresandam a angústia pelo amanhã. Por mais que queiramos fingir que tudo está bem no melhor dos mundos, as nossas leituras reproduzem inconscientemente os nossos medos e privações. Glosando Eric Hobsbawn, vivemos "tempos interessantes", ou seja, complexos. Tenho para mim que outros ainda mais "interessantes" se aproximam, mas não duvido por um minuto que seja que ainda não será desta que o Ocidente perderá, nem outra coisa seria de esperar quando, olhando para aquilo que se nos opõe, verificamos que, afinal, o tempo por que "eles" passam é ainda mais "interessante". O Islão e os seus adeptos assitem, vivendo-o, à morte da sua civilização. Nós, vivemos a mais uma mudança de pele.