03 outubro 2006

Nova Monarquia



"É com contentamento, acompanhado de profunda tristeza, que tenho vindo a conhecer o que em tempos adoptou o nome de Nova Monarquia.
Contentamento pelo que foi, disse e, sobretudo, fez! Mais do que lançar farpas e discorrer sem fim sobre como agir, arregaçou mangas, chamou juventude, dinamizou formas de campanha, inventou outras tantas e cresceu sem precedentes. Sinteticamente, fez frente ao imobilismo da militância monárquica, transportando-a para um plano verdadeiramente interventivo.
Não me revejo na totalidade das linhas mestras da NM, mas uma coisa é certa: fez o que tinha de ser feito.
A profunda tristeza é causada pelo estado actual de coisas. Vendo bem, a situação de estagnação a que a NM ripostou é uma realidade presente. Que dizer daquela Causa Monárquica que, em tempos, tão bem apelidaram de “causa sem efeito”? Quais as consequências dos seus congressos, jantares e reuniões que não seja o encontro dos amigos de sempre para fumar a charutada e beber os whiskys? Salvo raras excepções, são todos uns acomodados do “movimento”.
Quero lançar o desafio, se para isso tiver alguma legitimidade, para que o caríssimo e ilustre fundador da NM,
Miguel Castelo-Branco, complete este depoimento em boa hora iniciado. Seria uma mais valia para o conhecimento da historia de tão saudoso movimento."

No Estado do Tempo

Passaram muitos anos. Se voltasse às origens não teria feito muito do que fiz nem tomado muitas decisões que então estimei importantes para desancorar o movimento monárquico do marasmo. Ganhei centenas de inimigos, uns que nunca me conheceram, outros pelo despeitinho português, outros ainda pelo "respeitinho" que nunca exibi por medíocres e mitos. Ganhei, também, amigos para sempre. Valeu a pena ? Valeu. De nada nos valeu, porém, termos razão antes do tempo, dizer o que ninguém queria ouvir, agir quando todos se refastelavam no regabofe da magnânima Europa dos subsídios e nas ilusões ali-babescas do cavaquismo desmiolado. O nosso sonho era o de um Portugal reerguido do miserabilismo, de um governo misto, de uma comunidade lusíada numa Europa das nações. Tudo isso é hoje subscrito pelos PSD's, CDS's e PS's. O nosso erro ? Falar 20 anos antes que os outros se rendessem à evidência.

Miguel Castelo-Branco


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