24 outubro 2006

Minas de ouro sob Lisboa



O subsolo de Lisboa parece-se cada vez mais com as minas do rand. Ali há filões inexauríveis de enormes, redondas e brilhantes pepitas do mais puro ouro. Nas galerias, durante anos a fio, têm trabalhado máquinas e homens 24 horas por dia retirando o metal de Midas. Há a mina do Terreiro do Paço, a mina do Marquês de Pombal e a mina do túnel do Rossio, cada qual mais lucrativa que as outras na multiplicação por cinco, seis e sete dos orçamentos iniciais, bem como dos prazos de conclusão das obras. Ou é obra de criminosos - essa rapina desapiedada a que ninguém consegue colocar freio - ou produto dessa imensa estupidez e amadorismo atrevido que atira os portugueses a cauda da Europa. Qualquer olissipógrafo amador sabe que o Terreiro do Paço foi erigido sobre o entulho retirado das ruínas da Lisboa devastada pelo sismo. Ora, nunca foi possível trabalhar em escombros e lodo. Dizem os sábios: os britânicos e franceses fizeram o túnel da Mancha. Objecto: o túnel da Mancha foi escavado na rocha, não foi escavado em entulho amparado por estacaria. Temos arquitectos e engenheiros, mas saberão algo sobre a história desta cidade ? Talvez saibam, mas quem encomendou tal obra não sabia que era impossível fazer um túnel nessas condições. Aquilo é uma mina e ali estará durante dez, vinte, trinta anos a produzir a riqueza das construtoras até um político dar por encerrado o ciclo do ouro de Lisboa.

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