19 outubro 2006

Jansenista atinge idade bíblica


Dois anos d'esprit, style e Kultur em Port-Royal des Champs. Ali só não entra quem não quer ser confrontado com a descrença, o teatro e as máscaras. O pietismo cristão, ou o que sobra depois do cristianismo posto à prova por Bayle e pelas malfeitorias dos "cristãos ritualistas", é demasiado exigente para os fracos e os retóricos. O Jansenista parece ter sido tocado pela Graça e não tem parado de incomodar, sobretudo os postiços, os velhos descrentes que querem manter a chama de paixões mortas e a toleirice de novas modas dos salões.
Não se sabe quem assina os textos. É um mistério a que nem Pascal nem La Fontaine podem responder. As inquisições das esquerdas e direitas não desarmam. Os esbirros do cardeal pedem confissões e denúncias, os jesuítas arquejam de raiva e os materialistas inquietam-se. Creio que, afinal, o Jansenista não vive na sela de Port-Royal, mas passeia-se com aparente ar de distraído nos gabinetes de ministros.

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