25 outubro 2006

Henrique Barrilaro Ruas: mostra na Biblioteca Nacional

Inaugura-se depois de amanhã na Biblioteca Nacional de Portugal a mostra documental Henrique Barrilaro Ruas: camonista monárquico na república, que em boa hora vem assinalar a entrada do precioso espólio do professor, investigador, político e doutrinador que marcou, com a discreta elegância que se lhe reconhecia, mais de meio século da vida cultural nacional. Com honras de um precioso catálogo da autoria de Maria Teresa Mónica - 106 páginas de abundante informação sobre as polifacetadas inclinações de Barrilaro Ruas: actividade religiosa e política, actividade camoniana, actividade cultural - esta será, quiçá, a primeira iniciativa institucional destinada a divulgar entre estudiosos e público comum uma obra, um homem e um pensamento infelizmente pouco conhecidos.
É-me grato evocar Henrique Ruas. Conheci-o em circunstâncias menos propícias para o estabelecimento de pontes, pois estávamos em facções políticas diferentes. Contudo, nunca deixou de comigo falar nos termos mais humanos, sempre afável, sorridente e sem sombra de rancor, qualidades, aliás, que marcaram todos quantos com ele tiveram a honra de trabalhar. Era um homem de porte simples, educado, dialogante e aberto à argumentação adversa. Foi, entre os monárquicos, um agente de acalmação e de bom-senso e só lamento agora que então, jovem cheio de certezas, não o tivesse compreendido quando devia.
Ruas não era um daqueles integralistas cheios de teias de aranha que nunca leram para além de Sardinha e Pequito. Era um sólido defensor daquela Lusitana Antiga Liberdade que as modas do libertadeirismo oitocentista e do nacionalismo pateta e estatolátrico do século XX quiseram enterrar na memória dos portugueses. Deixou frutos, pois a sua atitude aflora aqui, ali e acolá no que de melhor se vai pensando e escrevendo no campo tradicionalista.
Chamo a atenção dos meus caros leitores para este catálogo, pois dele só se imprimiram 500 exemplares. Será, dentro de pouco, uma raridade de bibliófilo, pelo que recomendo vivamente que o encomendem ou adquiram quanto antes. De parabéns estão Henrique Barrilaro Ruas, Maria Teresa Mónica e a Biblioteca Nacional.

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