06 outubro 2006

A genética terrorista da República

" (...) É provável que o país já consiga conviver tranquilamente com a génese do regime, filho legítimo do terrorismo da Carbonária (é à força da Carbonária que se deve a implantação da República, e não aos discursos do institucional Partido Republicano Português, que se manteve mais ou menos à margem da revolução do 5 de Outubro). A Carbonária (a nossa mãe) não era propriamente recomendável - era uma organização terrorista. (...)"



A Ana Sá Lopes tem toda a razão. E se o sr. Anacleto fizesse uma revolução, impondo ao país o seu regime, mais montado na legitimidade da força que nos 5% de sufrágios que o levaram ao parlamento ? Ora, foi isso que fizeram os republicanos em 1910. Puro banditismo político, como diria Francisco Homem Cristo. A história da 1ª República é uma crónica digna dos anais policiais. De uma violência desconhecida na pacata sociedade portuguesa, os republicanos mataram, dinamitaram e intimidaram antes de se decidirem pelo assalto ao Estado. Depois, no poder, fizeram tábua-rasa de todas as promessas redentoristas e exilaram, prenderam, silenciaram e censuraram meio país. Logo que se apossaram por completo do Estado, voltaram-se uns contra os outros, como bandidos de estrada que, feito o assalto e esbulhadas as vítimas, se dizimam pela posse do saque. A República foi a desgraça deste país. De tudo o que a levou ao poder e de tudo o que obrou naqueles 16 anos subsequentes nasceu um país doente, irado, invejoso e devorado por ódios de camarilha. Foi a República que nos tirou da Europa, foi a República que fez Salazar, foi a República que tornou possível o PREC e a descolonização. Compreendo agora que ninguém tenha acorrido ontem às comemorações.