17 outubro 2006

Boa Ventura de Xuxa Xantos


A última edição do J-L - aquele jornal que, número sim, número não, exibe a criatura testudinoidis Saramaguensis, quando antes, número sim, número sim, exibia a evolução do estado do rosto de Jorge Amado - traz um saboroso naco de prazer solitário auto-biográfico assinado pelo eminente sociólogo, jurista, académico, cidadão do mundo Boa Ventura Chucha Tantos. Caramba, tanta bolsa, tanta viagem, tanta conferência paga pelo mais sujo capital retirado do suor das mais-valias, tanto prémio, tanta ciência, narcisismo à mistura com auto-flagelação - a eterna rábula do menino genial, filho do cozinheiro e da costureira - e muito camaleonismo não-me-comprometas à mistura. Assim vale a pena ser-se marxista, mas "marxista metodológico", ter andado nas Alemanhas e levar o sabonete, o papel higiénico e o leite aos amigos do paraíso que era a RDA, andar pelos antros do infecto capitalismo americano sem se comprometer com os mecenas, tão pouco com os contestatários, estar sempre de bem com todos os regimes e governanças e ter sempre um lugar, um ordenado, uma bolsa e um protector. Ultimamente, foi atacado pelas bexigas do anti-ocidentalismo, elecando os aeroportos, hotéis e universidades desse vasto mundo que está para além do Ocidente. Curioso, ali só lobrigo expressões da diversidade e triunfo do Ocidente. Sabe bem falar da fome perante um bom cozido à portuguesa !