02 outubro 2006

Acho-os uns...chatos


Pergunta-me um caro leitor por que motivo, sendo eu de direita, dedico tanto tempo a debicar "a minha família" política. Respondo com pesar: a direita que temos é insípida, arrogante, atrasada, provinciana, fechada, supersticiosa, maledicente, semi-analfabeta, repetitiva, antiquada, estéril, moralona, afectada, cinzenta e geriátrica. Metade da direita nativa assemelha-se às célebres "irmãs perliquitetes" e a outra metade aos bandidos da serra da Gardunha. Quero lá, tenho lá paciência para ouvir as novas da ofensiva de verão da Wehrmacht, do último grito do pack "75 mm feld howitzer", dos últimos discursos de Armindo Monteiro e Mário de Figueiredo, das minudências do "projecto global" por detrás do 25 da Silva, se havia chouriços ou munições nas palettes que Costa Gomes enviou para Vacila e Salva - perdão, Vassalo e Silva - se Delgado vinha ou não para Portugal para se entregar e se foi morto ou não pela PIDE em associação com o PC, se a censura, a pena de morte, as touradas e a caça são nobres instituições, se o país está perdido, se os esmaltes, arminhos e veiros do escudo dos Nogueiras, dos Silvas ou dos Pereiras devem ser gironados, terciados ou esquartelados, se António Sardinha era ou não melhor poeta que historiador, se a Mocidade Portuguesa usava calções até aos 14 anos e calças até aos 18, se a Legião tivera como influência directa os camisas castanhas ou os camisas negras, se António Ferro foi ou não foi um bom propagandista, se devíamos ou não ter emprestado os Açores aos EUA, se os ciganos são ou não descendentes dos hunos, se a porca de Murça é ou não uma deusa... sei lá, uma floresta de magnas preocupações que não me despertam a mínima atenção.

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