04 setembro 2006

Marcha pelo caviar do Cáspio, pelo Moët & Chandon e pelas obras de 200.000 Euros


Aquele friso de burgueses ociosos que gostam de brincar às revoluções valia 500 ordenados mínimos. Quatro meninos de 40 e 50 anos de idade, um dos quais arranjou o primeiro emprego no da vida como deputado ao Parlamento Europeu, que nunca tiveram preocupações para pagar o leite, o pão, a renda da casa, a conta do dentista, que nunca fizeram poupanças para comprar aquele livro, aquele disco, aquelas calças, que nunca apanharam o Metro ou o autocarro, que tiveram mesadas até à idade em que o cabelo começa a cair e a barriga a crescer, que tiveram sempre um papá, um tio, uma amiga do paizinho a abrir-lhes portas de subsídios, bolsas e mordomias imerecidos, que escaparam ao SMO graças ao primo Coronel-médico, que vivem em apartamentos geminados com obras de restauro de meio milhão de euros, filhos, netos, bisnetos e tetranetos de homens que estiveram sempre de bem com todos os governos de todos os regimes...têm o atrevimento - o TOPETE - de pedir uma marcha sobre Lisboa. Sei que o ridículo não tem limites, mas habituados como estamos a todos os atrevimentos, ainda nos surpreendemos quando o ridículo se transforma em pornografia. Sim, eu sou o capitalista-bushista-sionista-reaccionário-burguês-liberal mas trabalho doze horas por dia desde os quinze anos. Eles são os virtuosos...do Moët & Chandon e do caviar do Cáspio.

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