28 setembro 2006

Livros malditos: no inferno das bibliotecas (3)


As Mil e Uma Noites, obra prima da literatura persa e emblema do refinamento atingido pelo califado Abássida de Haroun Al-Rashid, constituiu uma colectânea de recitativos aventurosos, histórias cómicas, lendas e outras de claro pendor erótico. Sucessivamente acrescentada até ao século XIV, com interpolação de contos da autoria de Antoine Galland, que as deu a conhecer à Europa no século XVIII na sua mais límpida expressão, sofreu consecutivas mutilações editoriais sob a férula moralona do victorianismo, mas é no mundo islâmico que cai no index das obras proibidas. Tida por licenciosa, pornográfica, indecente, irreverente, sacrílega e "satânica", continua a ser lida com a máxima cautela e segredo.

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