27 setembro 2006

Lettres de charge

Portugal é um país de leis, não é um Estado de Direito. Um telefonema para um titular vale dez concursos públicos, o acesso à mesa de jantar de um magistrado vale por vinte requerimentos, um café com um inspector da judiciária vale por um abaixo-assinado com 200 assinaturas. A lei não serve para proteger os cidadãos do crime: serve para proteger os criminosos. Da próxima vez que precisar da protecção das autoridades peço uma lettre de charge. No dédalo da justiça cega, só o amiguismo, as solidariedades escusas e a falta de escrúpulos conseguem vencer a inércia das instituições.

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