18 setembro 2006

Les fous du roi: da inutilidade dos monárquicos reaccionários


Era eu presidente da Juventude Monárquica de Lisboa (PPM), lá para os idos de 1982, quando decidimos organizar todas as quartas feiras reuniões de planeamento de actividades. Os resultados foram imediatos e para surpresa de muitos ganhámos inúmeras associações de estudantes dos liceus da capital. Pela primeira vez, os monárquicos saíam das pequenas tertúlias saudosistas onde se discutiam temas tão actuais como os pendões de Aljubarrota ou os direitos de primogenitura deste ou daquele apelido. Foi com espanto que deparámos com uma fauna de lunáticos especializados em escudetes e costados, em besantes e linhas colaterais, enfim, criaturas completamente divorciadas da realidade. Estes malucos não recuam perante nada e procedem à inventariação de candidatos, onde pululam Mendonkas e Barretes, Barrikas e afins, coisas sem pés e cabeça, deixando qualquer mortal espantado por ainda não se terem lembrado de arrastar à força para o inexistente trono um Hohenzollern-Sigmarigen ou um Saxe mais desprevenido. Não tenho dúvidas que entretanto terá havido uma grande evolução, com a entrada de pessoas de gabarito e reconhecido interesse e autoridade intelectual, perfeitamente actualizadas e capazes de introduzir no debate político nacional a questão, que estimamos oportuna e urgente, da natureza do regime. No entanto, estas vozes são ainda minoritárias: destaco o Prof. Adelino Maltez, cuja prestação pública tem sido, no mínimo, brilhante, bem como, lembro, um Paulo Teixeira Pinto, um Gonçalo Sampaio e Melo ou um Rui Carp . As chamadas reais associações contentam-se em promover jantaradas e conferências, insistindo em permanecer num círculo vicioso de amigos já convencidos. Pretendem modernizar-se, por fim, aderindo aos novos canais de difusão de ideias. No entanto, se percorrermos alguns sites, que com toda a boa vontade pretendem propagandear a bondade das teses restauracionistas, verificamos terem ficado tolhidos pelo lastro das conversas de café, pela questão da bandeira e do escudo real. Por mim, até teremos que engolir a actual bandeira verde e vermelha se for necessário. Acrescentem-lhe uma coroa. Os monárquicos continuam, como no passado, os maiores aliados de uma república sem republicanos.

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