22 setembro 2006

Haverá alternativa ao capitalismo e à democracia ?




Os predicadores anti-capitalistas - bem como os inimigos da democracia - esgotam volumes de imprecações contra o sistema económico - e contra o regime da soberania popular - mas revela-se-lhes uma mal escondida admiração, uma quase diminuição moral que os leva a aterem-se às derivações negativas de um e outro. As críticas ao capitalismo e à democracia são, sempre, críticas realistas; ou seja, partem da etiologia e sugerem curas e paliativos: curas, adoptando soluções compromissórias que garantam contrabalançar o peso do número/voto pela preservação da mérito, ou do intervencionismo estatal que proteja a sociedade do homem, paliativos, suspendendo a participação dos cidadãos, através de ditadura, ou confiscando o direito de propriedade, transformando o Estado em proprietário. Os paliativos fracassaram, mostrando-se mais nocivos que as causas que haviam forçado a sua legitimidade momentânea. É evidente não haver alternativa ao capitalismo. O paliativo corporativo sonha com um universo social holístico e harmonioso, invoca o valor espiritual do trabalho, uma representação hierarquizada de corpos intermédios auto-regulados. Ou seja, julga o homem reduzido a uma ocupação. As corporações escondiam, afinal, coisas terríveis: exploração de crianças e jovens aprendizes, punições inaceitáveis, uma justiça intra-muros, monopólio, embotamento da concorrência, confiscação do saber. O paliativo colectivista degrada em absoluto o valor espiritual do trabalho e mutila o princípio da retribuição pelo mérito. Politicamente, o paliativo ditatorial suspende a fenomenologia própria do jogo político, acumula as tensões e acaba, sempre, por ocasionar maior balbúrdia que aquela que quis superar.
O capitalismo é benéfico para os homens, para as sociedades e para o planeta. É benéfico para os homens, pois gera mais riqueza distribuída, oferece maiores condições para a ascensão social, maior acesso a bens de consumo, maior possibilidade de escolha e contratação. É benéfico para as sociedades, pois limita o poder do Estado sem dar o poder político aos ricos, numericamente em desvantagem, obrigando-os a negociar ou, mesmo, legislar contra os seus interesses (leis anti-monopólio, anti-trust). É benéfico para o planeta, pois garante oportunidades a todos e distribuição de funções na diversificada teia de necessidades globais. Acresce ser o capitalismo o único sistema económico em relação com a vanguarda científica e tecnológica. A natureza concorrencial, a necessidade de oferecer melhor, em maiores quantidades e melhor preço, acaba por se fundir com as expectativas e atitudes de sociedades livres, onde a cultura e a reflexão sobre o bem-comum pedem melhor qualidade de vida, sinónimo de preocupação ambientalista.
Pergundo aos senhores anti-capitalistas e anti-democratas ? Conhecem o apresentam-me uma alternativa séria ao capitalismo e à "democracia burguesa" ? Se sim, que tenham coragem de o dizer sem recurso a sofismas.

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