25 setembro 2006

A doença do iberismo

O iberismo está como a urina para os rins ou como as ideias para o cérebro. Se o organismo está doente, a urina sai purulenta e as ideias confusas. O iberismo é uma doença portuguesa. Sempre que se toldam os horizontes, lá surgem as luminárias do derrotismo, os capitulacionistas da vontade, os fracos de espírito e uma mão cheia de envergonhados traidores clamar por essa miragem. Uns querem mais sopa, casa e rendimentos. São os iberistas das vísceras. Outros querem mais mercado, mais negócios e mais receitas. São os iberistas do business. Outros ainda, talvez os mais perigosos, querem maior fama. São os intelectuais, essa raça de eternos desocupados, sempre carentes de aplauso e tenças. Se o Estado Português as não dá, há que procurá-las noutro sítio. Vendem a pluma a Espanha como no passado a venderam aos Franceses e, mais recentemente, aos soviéticos. Desprezar Portugal, ridicularizar e subalternizar a nossa identidade e história integram o cardápio de pratos que nos servem desde o século XVIII. A moda atingiu o zénite sob a chamada "geração de 70". Esse friso de notabilidades erigiu Portugal como mote para toda a fúria demolidora e deixou cicatrizes que, doravante, passaram a fazer parte do ethos português. O problema do iberismo não está em Espanha. Está entre nós, na nossa alta burguesia, nas nossas universidades, nas redacções das tv's e semanários.

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