28 agosto 2006

Um país que só cresceu em automóveis


O país dos jipes, dos apart-hotéis, das idas ao Brasil, dos hiper-mercados e das autoestradas de quatro pistas. O país dos estádios de futebol, das casa de alterne, dos reality shows, do faz-de-conta das falsas tias de perna bronzeada no solário da esquina, das caricaturas de telejornais com meia hora de futebol e cinco minutos de informação, o país do Herman, do Valentim Loureiro, do Padre Melícias, do Marques Mendes e do camarada Sousesco a brincar aos operários. Grande parte de "tudo isto" foi adubado, regado e carinhosamente criado pelo cavaquismo e pelo guterrismo. Olho para trás, para todos aqueles anos de incentivos, linhas de crédito, fundos estruturais, cursos de promoção da populaça ao poder financeiro, político e mediático e chego à triste conclusão que o povo, que o deixara de ser ao fixar-se nos subúrbios, convertendo-se em canalha, não avançou um milímetro. Só somos desenvolvidos em sinais de status: cartões de crédito, automóveis de alta gama, trapos e telemóveis. No restante, continuamos uma sociedade rural, reaccionária, pequena e semi-letrada. Que pena. A ralé não se aburguesou - isto é, não se libertou pelo estudo, pela iniciativa e pelo mérito - como o capitalismo e a democracia não entraram. Ficaram à porta. Tudo o resto é cosmética, da pior. Só falta o pires com as cadelinhas e o palitinho.

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