10 agosto 2006

Não ter medo

A assinatura do acordo entre o governo português e a Embraer - o 3º maior fabricante mundial de jactos comerciais - vem demonstrar aquilo que aqui repetidamente temos vindo a afirmar: a globalização é uma evidência, não vale a pena tentar afastá-la. Para sobreviver, é necessário adaptarmo-nos com rapidez, coragem e risco ao novo cenário. Portugal tem de ser mais capitalista na atitude, mais liberal na roupagem jurídica que torna possível a adaptação, mais permeável à entrada de ideias que estão a varrer a estrutura de um mundo compartimentado em soberanias que já não resistem à multiplicidade de factores que a globalização transporta. As fronteiras que exprimiam a soberania do Estado (território, lei, população, aparelho produtivo) já não têm qualquer significado. Há, naturalmente, que defender quem aqui produz, mas o proteccionismo dos velhos tempos, ao invés de proteger, mataria. O que importa agora é captar investimento, estabelecer parcerias, deslocalizar o que aqui já não pode sobreviver, deixar morrer o que não tem futuro. Se o não fizermos, apegados a receitas autárcicas, poderemos, então sim, entrar naquele lumpen económico das "economias intocáveis" que nada mais têm a oferecer no quadro da economia-mundo para além de serviços imundos. Nós não queremos ser um Bangladesh, o maior sucateiro e lixeiro do mundo. Nós somos europeus, estamos no coração do segundo espaço económico mundial. Só não saímos desta situação se, de facto, já estivermos mortos.

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