31 agosto 2006

Cartas para Combustões: Tintim e os Nazis, alguns apontamentos


"Caro Miguel Castelo-Branco:

O leitor João de Melo não tem inteiramente razão naquilo que afirma. Os dois álbuns que apontou não são os melhores. Tintim na Pais dos Sovietes foi elaborado numa altura em que a URSS se encontrava em isolamento quase total e que as noticias que dali saiam eram as veículadas pelos refugiados. O Álbum é um puro reflexo disso. O Tintim no Congo resume apenas a visão europeia de África (O fardo do Homem branco). Era a visão que qualquer comum mortal teria nessses tempos.
Onde o "Anti-semitismo é muito visivel é nos Albúns realizados durante a IIª Guerra Mundial, sobretudo em "A Estrela Misteriosa", onde os maus são americanos e a expedição americana é financiada por um Banqueiro Judeu (Finkelstein) retratado de acordo com as regras do Dr. Goebbels (Gordo e com Nariz pronunciadamente adunco). A expedição do Aurora é sempre sabotada por empresas americanas.
Em contrapartida a expedição do "Aurora" é composta por cientistas dos países do Eixo, paises ocupados pelos alemães e paises neutrais amigos (Portugal e Espanha)
Em Português, esta versão (Que eu possuo)foi editada nos anos 60 pela editora Flamboyant de São Paulo. Esta versão já não pode ser encontrada nos escaparates (Talvez exista na versão árabe????). Na versão corrigida a expedição inimiga deixa de ser americana, e os Banqueiro passa a chamar-se Bowinkel, saindo os Judeus da História.
No "O País do Ouro negro" existem algumas referências anti-semitas mas não tão pronunciadas. Hergé sempre se defendeu dizendo que apenas assim poderia publicar os seus albuns, usando mesmo como defesa a mensagem de "O Ceptro de Otokkar". Mas na realidade no final da Guerra pensou seriamente em se refugiar em Portugal, como Adolfo Simões Muller (Oliveira da Figueira) o aconselhou a fazer. Penso que apenas os pais de Hergé vieram passar umas férias em Portugal (mas não tenho a certeza).
Um grande abraço

Luís Bonifácio"

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