02 julho 2006

We are all together


Oito da manhã. Saio apressado do hotel para uma reunião que terá lugar no extremo oposto desta megalópole de 9 milhões de habitantes. Toda a cidade está adornada de bandeiras douradas e retratos do rei, como só podemos ver naquelas velhas fotografias do Japão do tempo dos grandes triunfos militares. Subo as escadas rolantes do Sky Train literalmente empurrado pela mole. Mal chego à plataforma, um súbito silêncio petrifica os milhares de pessoas apinhadas. Soa o hino nacional. Com grande orgulho, em sentido, de queixo erguido, aquela gente canta entre-lábios. À minha frente estancaram quatro miúdas com os uniformes das escolas secundárias. Riem-se para mim porque também murmuro algumas palavras do hino. Acaba o hino e a mole entra em avalanche nas composições. Um jovem oficial da Marinha Real explica a dois italianos espantados: we pay respect to our King. Monarchy means we are together.
Este forte sentido de comunidade, este estar em permanência com o pulsar da nação, faz-se com naturalidade, sem ditadura e sem repressão; aliás, o são patriotismo - o amor pela terra, o orgulho de pertencer a uma comunidade livre e independente - constitui por si a manifestação mais clara de democracia. E nós sempre divididos, sempre em guerra civil larvar.

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