28 julho 2006

O caso Abrupto: da canalhice ao riso canalha

Pacheco Pereira é uma excepção nesta terra de ufanos medíocres, de iletrados arrogantes, atrevidos sem escrúpulos ou cobardes despeitados. O seu Abrupto é, entre dois ou três outros que diariamente leio, uma tribuna de honestidade, de frontalidade e enérgico questionar das mansas crendices a que o nosso povo tributa um respeito filho da servidão, do medo e da ignorância. O ataque de que tem sido alvo é, pois, sintomático dessa vis que me leva, cada dia que passa, a querer menos a proximidade das ditas "pessoas de bem", dos "valores", das "tradições" e dos amanhãs cantantes, tanto os de esquerda, como das direitas. O país não tolera a abertura de espírito, abomina os livros, a razão desapaixonada e incisiva, o peso da responsabilidade de pensar, dizer e escrever. Ora, Pacheco Pereira não tem langage de bois, não genuflecte ante mentiras sagradas, não pensa a partir de artifícios de coerência pré-montada (vulgo ideologia), nem pede desculpas por assumir a sua cuidada independência. A piratização do seu blogue é, assim, manifesto instantâneo da impotência, da raiva e da inveja daquel(es) que não o podem emular. Choca-me, sobretudo, o riso galhofeiro dos cúmplices da desgraça alheia. O criminoso - que será mais tarde ou mais cedo revelado - pode não passar de uma insignificante criatura à procura daquela notoriedade que leva um ratoneiro a assaltar um banco. Os piores são, contudo, os canalhas que se vão entretendo em zombar de um homem que tem sido, ao longo dos últimos anos, um verdadeiro educador. Coisas da vilória portuguesa...

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