05 junho 2006

Há 60 anos: a trapaça do referendo italiano

Passaram 60 anos sobre o golpe de De Gasperi, Neni e Togliatti para impor a república no imediato pós-guerra. Foi um referendo manipulado, teledirigido e falsificado desde o primeiro dia em que os novos senhores do país chegaram ao poder. A partilha da bota pelos poderes que haviam triunfado - EUA, URSS - fez-se com toda a sorte de atropelos a direitos civis em que as proscritas organizações criminosas (Máfia, Camorra) tiveram, pela primeira vez em décadas, uma acção tutelada pelas autoridades. Os Sabóia tinham contra si muitos antigos fascistas, muitos autonomistas e regionalistas, mas, sobretudo, os democratas-cristãos, os comunistas e os socialistas. Em Junho de 1946, a votação alcançada pelos monárquicos foi cerrada, partindo oficialmente o país em dois; oficialmente, posto que é hoje argumento de toda a evidência que os senhores da nova situação recorrem a chapeladas eleitorais em todos os rincões de Itália: mortos votantes, eleitores-fantasmas, votos por procuração, votantes inscritos em 3, 4 e 5 cadernos eleitorais distintos. A monarquia triunfou, de facto. Temendo uma reviravolta, fez-se votar uma infame lei de banimento, obrigando toda a família real a sair do país. Hoje, depois de 50 anos de poder corrupto e dez de exotismos populistas, muitos olharão com nostalgia o tempo em que a Itália era una da Sicília ao Alto Adige.

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